O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, acabou por aceitar o convite da presidência portuguesa para estar presente na assinatura do novo tratado europeu, mas não chegará a tempo da cerimónia, devendo subscrever o documento num acto isolado.
Segundo a edição de hoje do jornal “The Guardian”, Brown – cuja ausência chegou a ser dada como certa – terá acedido aos apelos da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, para se juntar aos restantes líderes da UE na assinatura do tratado acordado pelos 27 em Outubro passado.
No entanto, o primeiro-ministro britânico só partirá para Lisboa após uma sessão na Câmara dos Comuns, não sendo esperada a sua chegada à capital portuguesa antes da foto de família, que encerrará as cerimónias no Mosteiro dos Jerónimos. Na pior das hipóteses, Brown chegará apenas a tempo do almoço que será oferecido pelo Presidente na República aos líderes europeus, pelas 13h45, devendo depois assinar o novo tratado numa cerimónia particular.
Segundo o diário britânico, a presidência portuguesa da União Europeia foi surpreendida, na semana passada pela notícia de que Brown iria permanecer em Londres para a Comité de Ligação, que reúne os presidentes de todos os comités parlamentares. Apesar de a sua presença na sessão ser obrigatória, o “Guardian” sublinha que a reunião foi agendada depois de conhecida a data para a assinatura do novo tratado, acordada logo na cimeira de Outubro.
De acordo com o jornal, só a insistência de Merkel e Barroso garantiu a presença de Brown em Lisboa.
Os avanços e recuos do chefe de Governo britânico foram criticados tanto pela oposição conservadora como pelos europeístas britânicos, que o acusam de falta de coragem política.
Para os primeiros, este caso “exemplifica a falta de liderança de Brown” e a cedência de Londres face à pressão de Bruxelas para a assinatura do polémico tratado, refere um diplomata europeu ouvido pelo diário. “Para os pró-europeus, ele recusou manter-se firme e a lutar” pelo tratado que ele próprio negociou.
“A sua reputação entre os chefes de Governo europeus está presa por um fio. Ele não tem uma posição sobre a Europa. Se ele queria mandar um sinal de que está indeciso sobre a Europa acabou de o fazer”, acrescentou o diplomata.
Confrontado com estas hesitações, o porta-voz de Downing Street desdramatizou o atraso de Brown, garantindo que “há imensos precedentes de pessoas, que não o primeiro-ministro, a assinar tratados”. “Ele negociou o tratado e pensa que ele é bom para o Reino Unido”, garantiu o representante, dizendo que Brown viu com “incredulidade” o facto de a sua ausência estar a dominar os preparativos do encontro.



