UE: Blair confirma "amplo acordo" sobre formas de enfrentar a globalização 
27.10.2005 - 20:38 Por AFP, Reuters
O primeiro-ministro britânico congratulou-se hoje com o “amplo acordo” registado na cimeira dos líderes europeus em Hampton Court, consagrada aos desafios da mundialização. Já quanto ao próximo orçamento comunitário, Tony Blair admite que será “muito difícil” um acordo durante a actual presidência britânica.
Comentando o diagnóstico apresentado pelo presidente da Comissão Europeia, que serviu de base aos debates da tarde, Blair garantiu a existência de “um amplo acordo” em torno do relatório, considerando que este aponta “a boa direcção para o futuro da política económica e social da Europa”.
Para Blair, os 25 estão convencidos da necessidade de proceder a reformas estruturais para responder aos desafios da globalização, colocando a “Europa de novo nos eixos”.
Numa cimeira que evitou cautelosamente as questões mais polémicas, os chefes de Estado e de Governo debateram as cinco áreas definidas pela presidência britânica como prioritárias para os próximos anos: política comum de energia, reforço do investimento na investigação, investimento no ensino superior, política comum de imigração e reforma do mercado laboral.
Em cima da mesa esteve também uma proposta da Comissão Europeia, apoiada pela presidência britânica, que prevê a criação de um “fundo de adaptação à globalização”, destinado a auxiliar os sectores mais vulneráveis à concorrência das economias emergentes. A iniciativa, que vai ao encontro das preocupações francesas, deverá avançar num futuro próximo, com a condição de não envolver gastos adicionais, aproveitando recursos disponíveis.
Questionado no final do encontro sobre a possibilidade dos 25 chegarem a acordo sobre o próximo orçamento comunitário (2007-2013) até ao próximo mês de Dezembro, final da presidência britânica, Blair considerou que se trata de um desafio “crucial” para a UE “mas muito difícil de alcançar”.
“Seria mais fácil se existisse uma direcção clara, com prioridades definidas”, afirmou Blair, numa referência ao diferendo que mantém com Paris a propósito das orientações orçamentais.
O Reino Unido defende uma redução das verbas destinadas à Política Agrícola Comum (PAC), um instrumento que consome 40 por cento dos recursos comunitários, favorecendo o investimento em áreas como o ensino, a investigação ou o sector energético. Em contrapartida, o Governo francês rejeita qualquer alteração da PAC, acusando o primeiro-ministro britânico de propor um modelo demasiado liberal, que põem em causa o modelo social europeu.
Apesar da cautela manifestada por Blair, os líderes europeus aproveitaram as conferências de imprensa no final da reunião, para voltar a pressionar o Reino Unido a apresentar uma proposta de compromisso sobre a matéria, considerando que a Europa arrisca a paralisia caso não seja aprovado em breve o próximo quadro orçamental.

