Ucrânia quer reequilibrar relações com a União Europeia e a Rússia

01.03.2010 - 22:06 Por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas
O novo Presidente da Ucrânia, Victor Ianukovich, procurou dissipar a sua velha imagem pró-russa ao garantir em Bruxelas que a “prioridade-chave” do seu país em matéria de política externa será a integração na União Europeia (UE).
Ianukovich, que tomou posse há apenas quatro dias, surpreendeu positivamente os europeus por ter decidido deslocar-se a Bruxelas para encontros com os responsáveis europeus antes de voar para Moscovo, na sexta-feira. Mas o novo Presidente, cujo primeiro mandato foi interrompido pela “Revolução Laranja” de 2004, deixou igualmente claro que pretende reequilibrar as relações do seu país entre a UE e a Rússia, operando uma viragem na política decididamente pró-europeia e pró-americana do seu antecessor, Victor Iuschenko.
“Para a Ucrânia, a integração na UE é a prioridade-chave da sua política externa”, afirmou Ianukovich no final de uma reunião com Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, frisando, no entanto, que também pretende desenvolver “relações amigáveis e construtivas com a Federação Russa, com os países vizinhos” e com o “parceiro estratégico que são os Estados Unidos da América”.
Reforçando a viragem que pretende operar, Ianukovich reiterou igualmente a sua oposição à adesão da Ucrânia à NATO, uma perspectiva fortemente contestada por Moscovo, embora frisando que pretende manter os programas em curso desenvolvidos em conjunto com a Aliança. “O estatuto da Ucrânia não vai mudar”, sublinhou.
O novo Presidente garantiu, por outro lado, que a Ucrânia será “um país de trânsito fiável” do gás russo para a Europa, afastando assim a eventualidade de uma repetição da crise de Janeiro de 2009 entre Kiev e Moscovo, que deixou vários países da UE sem aquecimento durante três semanas no pico do Inverno. “Para isso, vamos melhorar consideravelmente o nível das relações com a Rússia”, afirmou.
Face às aspirações da Ucrânia, Durão Barroso procurou não assumir qualquer compromisso em matéria de futura adesão à UE, uma perspectiva que a esmagadora maioria dos Estados-membros recusa por agora equacionar. “A Ucrânia é um país muito importante”, mas “em vez de discutir possíveis datas de adesão é preferível concentrarmo-nos nas reformas que a Ucrânia tem de realizar e que vão aproximá-la da Europa”, afirmou.
Barroso e Ianukovich colocaram, por outro lado, a ênfase nas negociações em curso para um acordo de associação, que garantirá a Kiev um acesso preferencial ao mercado comunitário. Segundo o presidente da Comissão, as negociações poderão estar terminadas “dentro de um ano”.


