O Parlamento ucraniano aprovou hoje a fixação das eleições presidenciais no país para 17 de Janeiro do próximo ano, um escrutínio que deverá contar como candidatos tanto o chefe de Estado, Victor Iuschenko, como a chefe de Governo, Iulia Timochenko – em tempos aliados políticos que se tornaram ácidos rivais num panorama político tumultuoso.
Esta é já a segunda data fixada pelos deputados – desta feita aprovada por 399 dos 450 membros do Parlamento – depois de Iuschenko ter decretado há dois meses como “ilegal” a data de 25 de Outubro deste ano, o que acabou confirmado em meados de Maio pelo Tribunal Constitucional.
Depois de eleito com uma muito expressiva maioria, na sequência da Revolução Laranja de 2004 que virou a Ucrânia a Ocidente, Iuschenko tem tido tudo menos um mandato tranquilo, face às permanentes crises com o Governo, o não avanço de reformas, e uma muito tensa relação com a Rússia.
O sentimento imenso de desilusão entre a população é expressado na escassa intenção de voto de que Iuschenko goza hoje em dia nas sondagens: não mais do que três por cento. É o sexto numa lista de preferências de candidatos presidenciais num estudo recente feito pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev. Timochenko, que foi a “musa” da Revolução Laranja mas que tem travado inúmeras querelas políticas com o Presidente, regista 22 por cento das intenções de voto.
À frente nas sondagens segue o antigo primeiro-ministro Victor Ianukovitch, do pró-russo Partido das regiões, que saíra à frente de Iuschenko nas eleições presidenciais de 2004 mas num escrutínio contestado como fraudulento – que conduziu às manifestações maciças da Revolução Laranja e à anulação daqueles mesmo resultados.



