Ucrânia ameaça interditar porto à Armada russa e Moscovo já controla capital osseta

10.08.2008 - 10:57 Por AFP
A Ucrânia ameaçou hoje interditar o seu porto de Sebastopol, no Mar Negro (sul da Península da Crimeia), aos navios da Armada russa na sua ofensiva contra a Geórgia, comunicou hoje o ministério ucraniano dos Negócios Estrangeiros. Por terra, o exército russo afirmou ter hoje tomado o controlo da capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali.
De acordo com o porta-voz do ministro georgiano do Interior, Chota Outiachvili, à AFP, “as forças russas ocupam Tskhinvali”, disse, acrescentando que a Rússia pediu às Nações Unidas que retirem todos os seus observadores da região separatista da Abkhazia e de Zougdidi (oeste da Geórgia).
A capital da região separatista, no centro da disputa entre georgianos e russos, foi inicialmente palco de uma ofensiva militar por parte de Tbilissi na madrugada de quinta para sexta-feira.
A mesma notícia foi confirmada pelo exército russo. Um alto responsável do Estado-maior das Forças Armadas russas, Anatoli Nogovitsyne, indicou que as forças de Moscovo controlam “grande parte” de Tskhinvali.
Paralelamente, as forças da Geórgia ter-se-ão retirado hoje de praticamente toda a região da Ossétia do Sul, anunciou igualmente hoje à AFP o secretário do Conselho de Segurança da Geórgia, Alexandre Lomaia. Simultaneamente, Tbilissi anunciou querer resolver o diferendo com a Rússia, apelando a uma mediação americana.
Apesar do recuo da Geórgia, Rússia dispõe-se a atacar
Apesar deste recuo, a Rússia estava prestes a atacar, a meio da manhã de hoje, o oeste da Geórgia, perto da república separatista da Abkhazia, afirmou hoje o presidente do Parlamento georgiano David Bakradze.
“Nós verificámos a informação; os russos prevêem atacar Zougdidi nas próximas horas”, indicou à televisão pública georgiana.
“O Presidente da Geórgia (Mikheïl Saakachvili) dirige pessoalmente a defensiva do País. Não daremos ao inimigo a hipótese de ocupar a Geórgia”, acrescentou.
O único acordo a que parecem ter chegado até agora Moscovo e Tbilissi foi o da abertura de dois corredores humanitários na Ossétia do Sul para a remoção de feridos, refugiados e jornalistas, anunciou hoje a agência noticiosa Ria-Novosti citando uma fonte no seio do comando das forças de interposição russas.
Estas são as hostilidades mais violentas desde que a Ossétia do Sul se proclamou unilateralmente independente, em Novembro de 1991 e a primeira grande crise a deparar-se ao Presidente russo, Dmitri Medvedev, desde que em Maio sucedeu no cargo a Putin - que é ainda visto como o detentor do poder real na Rússia.

