Ucrânia alega que Gazprom injectou gás em conduta destinada a consumo interno

13.01.2009 - 16:43 Por AFP, PÚBLICO
O Governo ucraniano diz ter sido forçado a interromper o trânsito de gás russo destinado à Europa, acusando a Gazprom de ter injectado combustível num gasoduto destinado a consumo interno – uma acusação que a empresa já desmentiu.
“Não abrimos as válvulas, porque não o podemos fazer”, afirmou Oleg Dubin, director da Naftogaz, a empresa estatal ucraniana responsável pela distribuição e abastecimento de gás, depois de ter sido acusada pela Gazprom de estar a bloquear a passagem do gás destinado aos seus clientes europeus.
O responsável afirma que se tivessem sido abertas as válvulas, a Naftogaz “teria sido obrigada a deixar sem gás as regiões de Odessa, Lugansk, Donestk e Dniepopetrovsk”, no Sul e Leste da Ucrânia.
Kiev alega que a Gazprom injectou o gás destinado à Europa num gasoduto destinado a consumo interno, pelo que teria de privar as suas populações de gás para cumprir o acordado ontem com Moscovo.
O director executivo da Gazprom já veio rejeitar esta explicação, afirmando que o gás foi injectado “unicamente nos gasodutos de exportação” ucranianos.
Por seu lado, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, deu a entender que os gasodutos ucranianos “não terão condições técnicas” para transportar as quantidades de gás exigidas, sugerindo discussões directas entre os dois países para determinar em que medida Moscovo pode ajudar Kiev.
Quando se esperava uma normalização do abastecimento à Europa, depois de os dois países terem chegado ontem a acordo, a Comissão Europeia revelou esta manhã que “muito pouco gás” estava a transitar em direcção aos clientes europeus. Pouco depois, a Ucrânia acabou por admitir que estava a bloquear a passagem de gás, alegando que não estavam reunidas as condições técnicas para o trânsito de combustível.
Um observador da União Europeia enviado à estação de bombagem de Sudzha, na Rússia, revelou que a Gazprom está a injectar quantidades nos gasodutos ucranianos inferiores à média. “A Ucrânia pediu a injecção de um total de 350 milhões de metros cúbicos por dia, mas a Rússia alega que é preciso começar devagar. Para já, estão a injectar um milhão de metros cúbicos por hora”, afirmou o observador, que pediu anonimato.


