Ucrânia acusa Gazprom de reduzir fornecimento de gás aos consumidores europeus

04.01.2009 - 10:49 Por Lusa
Oleg Dubina, director da empresa pública Natfogaz da Ucrânia, considerou que a Rússia está a reduzir os fornecimentos de gás aos clientes europeus para acusar a Ucrânia de roubar combustível dos gasodutos.
"Hoje estou convencido de que a Rússia não fornece aos seus consumidores quantidade suficiente de gás para dizer que os ucranianos roubam", declarou Dubina, numa entrevista ao canal televisivo ucraniano "5".
Ao mesmo tempo, considera que as conversações entre a Naftogaz e a Gazprom (da Rússia) não se realizam no campo económico, mas no político, sublinhando que as declarações da direcção do consórcio russo são prova disso. "A última declaração do respeitado senhor Miller (presidente da Gazprom) já é alta política. Ela não saiu da minha boca, mas da boca da direcção da Gazprom", frisou.
Depois do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ter anunciado a descida do preço do gás para a Ucrânia de 418 dólares por mil metros cúbicos para 250, Miller voltou ao preço antigo, justificando essa subida com o facto de Kiev ter recusado o "preço preferencial" do combustível azul russo.
Oleg Dubina considerou também que, se as conversações com a Rússia sobre o gás entrarem num beco sem saída, será necessária a intervenção dos chefes dos governos russo e ucraniano ou de uma terceira parte. "Se chegarmos a um beco sem saída nesta questão, deveremos chamar os governos para que tomem decisões, cheguem a acordos, assinem documentos e nos dêem ordens, ou será precisa uma terceira parte", acrescentou.
O dirigente da Nafotogaz da Ucrânia defende que a União Europeia (UE) poderá ser a intermediária para "determinar se alguma das partes recorre à pressão económica ou política sobre a outra, se as exigências de alguma das partes têm realmente fundamento económico".
Por outro lado, Dubina mostrou-se pronto a ir a Moscovo para assinar os novos contratos sobre fornecimento de gás, mas frisou: "Só assinarei documentos economicamente fundamentados para a Ucrânia e a Naftogaz".
As negociações russo-ucranianas saldaram-se num fracasso no dia 31 de Dezembro. Kiev rejeitou a "tarifa preferencial" russa de 250 dólares por mil metros cúbicos de combustível azul, contra os 179,5 dólares pagos em 2008, e afirma estar disposta a pagar entre 200 e 235 dólares por igual quantidade de gás. Moscovo respondeu com um novo aumento para 418.
A União Europeia já convocou uma reunião para o próximo dia 9, com a participação de representantes russos e ucranianos, com vista a conseguir a normalização da situação.
Urmas Paet, ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, defende que a UE deve procurar fontes de energia alternativas ao gás russo.
"Semelhantes crises não seriam tão sérias se existissem outros canais de fornecimento de gás para a UE. Então, a dependência em relação à Gazprom não teria uma força tão tenebrosa", considerou.
Segundo Paet, a União Europeia deve pressionar a Rússia e a Ucrânia "com vista a que as conversações tenham um carácter económico". "Não é normal quando as conversações sobre o preço do gás são realizadas pelos dirigentes dos Estados", concluiu Paet.

