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Bruxelas deu algumas semanas a Ancara

Turquia não aceita condicionamento da adesão à questão de Chipre

08.11.2006 - 17:41 Por AFP, PUBLICO.PT

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Ancara recusa a entrada dos navios cipriotas-gregos nos seus portos, em violação do acordo aduaneiro assinado com a UE Ancara recusa a entrada dos navios cipriotas-gregos nos seus portos, em violação do acordo aduaneiro assinado com a UE (Tolga Bozoglu/EPA)
A Turquia considera inaceitável qualquer ligação entre o reconhecimento de Chipre e as negociações para a adesão à União Europeia, sublinhando que compete a Bruxelas manter este processo no bom caminho.

"O problema cipriota é um problema político e não constitui uma obrigação em relação ao nosso processo negocial, que é essencialmente técnico", lê-se num comunicado emitido pelo Governo turco.

"Dependerá da visão política dos dirigentes europeus a adopção de uma decisão na cimeira europeia que garanta a durabilidade do processo", acrescenta o Executivo turco, sublinhando que "neste ponto a responsabilidade maior é da UE".

Num relatório divulgado hoje, a Comissão Europeia anuncia que vai continuar as negociações com Ancara, evitando o colapso do processo negocial, mas deixa a ameaça no ar, ao declarar que fará "as "recomendações necessárias" antes da cimeira europeia de Dezembro se a Turquia não estender a Chipre o acordo aduaneiro que assinou com os novos Estados membros da UE – o que equivaleria a reconhecer o país.

Correndo o risco de ver suspensas as negociações para a adesão à UE menos de um ano após o seu início, a Turquia recusa abrir os seus portos e aeroportos aos navios e aviões cipriotas-gregos.

Para rever a sua posição, Ancara exige que os países europeus ponham fim ao bloqueio económico imposto à entidade cipriota-turca, a parte Norte da ilha, invadida pelo Exército turco em 1979, e cujas autoridades não são reconhecidas pela comunidade internacional.

No comunicado emitido hoje, o Governo turco reage também à análise da Comissão Europeia sobre a situação dos direitos humanos no país, constatando a persistência de violações à liberdade de expressão, direitos das mulheres e das minorias e alguns casos de tortura.

"Há partes do relatório com as quais não concordamos. As nossas posições sobre estas matérias serão transmitidas posteriormente à Comissão", escreve o Executivo, garantindo que continua empenhado em prosseguir o programa de reformas.

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