Centenas de milhares de pessoas reuniram-se hoje em Istambul para manifestarem a sua adesão aos princípios laicos do Estado turco e a sua crítica à crescente "islamização" do país, avançam as cadeias de televisão turcas.
A marcha coincide com o memorando emitido na noite de sexta-feira pelo Exército turco, no qual os militares sublinharam o seu estatuto de defesa "incondicional do secularismo" (doutrina que recusa qualquer dogma), aludindo à candidatura presidencial do actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gul, um islamista moderado.
O Governo turco reagiu com firmeza às palavras do Exército e recordou que o Estado-Maior está dependente do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.
"A Turquia é laica e vai continuar assim", afirmam os manifestantes, empunhando bandeiras turcas e retratos do fundador da Turquia moderna, Mustafa Kemal Ataturk, na Praça Caglayan, na zona europeia da metrópole. Os manifestantes exigem que a presidência da Turquia permaneça secular.
A manifestação foi organizada em conjunto por cerca de 600 organizações não-governamentais.
Já no passado dia 14 de Abril se tinham reunido em Ancara cerca de 400 mil pessoas para protestar contra a possível candidatura presidencial de Erdogan, que afinal decidiu colocar na corrida à presidência um dos seus colaboradores mais próximos - Abdullah Gul -, que na sexta-feira não conseguiu ser eleito à primeira volta, tendo já afirmado, porém, que não irá retirar a sua candidatura.



