O atentado à bomba cometido ontem em Ancara, que provocou a morte de seis pessoas, foi perpetrado por um bombista suicida, alegadamente pertencente ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla original), disse hoje o governador da capital turca, Kemal Onal.
A polícia encontrou os restos mortais de um homem de 28 anos, identificado como Guven Akkus, que não faz parte da lista das seis vítimas mortas no atentado, disse Onal.
A explosão abalou um centro comercial numa zona histórica de Ancara, em hora de ponta. Morreram seis pessoas e mais de 60 ficaram feridas.
Visivelmente abalado, o primeiro-ministro, Recep Tayip Erdogan, prometeu uma resposta rápida a este "brutal ataque terrorista".
A deflagração surgiu numa altura de alta tensão política na Turquia. O AK, partido de Erdogan, convocou eleições antecipadas para tentar resolver um conflito com a elite secular, que não quer um islamista na Presidência da República.
O sector laico do país — os militares, os juízes e os partidos da oposição — boicotou os planos do Executivo para fazer eleger como chefe de Estado o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gul, numa votação no Parlamento. Embora Erdogan e Gul sejam islamistas moderados, o sector laico teme que ambos enfraqueçam a separação entre o Estado e a religião.
Para além dos separatistas curdos do PKK, também os activistas de esquerda e radicais islamistas têm cometido ataques bombistas na Turquia. Em 2003, morreram 30 pessoas e 146 ficaram feridas quando suicidas fizeram explodir carros armadilhados em duas sinagogas de Istambul. Cinco dias depois, na mesma cidade, 32 pessoas foram mortas em ataques atribuídos à Al-Qaeda contra o consulado do Reino Unido e o banco HSBC. Em 2006, rebeldes curdos atacaram vários locais turísticos, causando mais de uma dezena de mortos.



