Turquia acusa Israel de ter cometido um acto de "terrorismo de Estado"

31.05.2010 - 16:11 Por PÚBLICO
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou Israel de ter cometido um acto de "terrorismo de Estado" ao ordenar o raide mortífero contra a frota de activistas pró-palestinianos que tentavam levar ajuda à Faixa de Gaza. Pelo menos dez pessoas foram mortas.
Erdogan pediu uma reunião urgente da NATO. A Turquia é membro da Aliança Atlântica desde 1952 e funciona como a sua fronteira oriental, controlando a passagem do mar Negro ao Mediterrâneo e tem como sede de vários dos seus comandos. O primeiro-ministro, que interrompeu uma visita à América Latina por causa deste ataque, descreveu a acção militar de Israel como "desumana".
"Esta acção, totalmente contrária aos princípios da lei internacional, é terrorismo de Estado desumano. Ninguém deve pensar que vamos ficar quietos face a isto", disse Erdogan, ainda no Chile, antes de regressar à Turquia.
Algumas das embarcações atacadas têm bandeira turca e muitos dos cerca de 700 activistas que seguiam a bordo tinham nacionalidade turca.
O Presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou durante uma conversa telefónica com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que quer conhecer "o mais rapidamente possível" as circunstâncias exactas do incidente, informou a Casa Branca.
O Canal 10 da televisão israelita noticiou durante algumas horas que o assalto do Exército tinha feito 19 mortos, mas diminuiu entretanto o seu balanço para dez vítimas mortais. Há ainda um número indeterminado de feridos. A nacionalidade das vítimas não é conhecida.
Tal como Erdogan, também Netanyahu estava de viagem, no Canadá, de onde deveria seguir amanhã para Washington. O Governo anunciou que Netanyahu anulou já a visita aos Estados Unidos e está a regressar ao seu país. Antes, num comunicado, o líder do Executivo quis manifestar o “seu inteiro apoio” ao Exército
A chanceler alemã, Angela Merkel, disse já ter telefonado aos seus homólogos turco e israelita para exprimir a sua "profunda inquietação" na sequência do raide israelita contra a frota. "Devemos fazer tudo para evitar que esta situação difícil dê lugar a uma escalada", disse Merkel, insistindo na necessidade de "esclarecer o mais rapidamente possível este assunto".
"Sou da opinião que a presença de observadores internacionais pode ajudar", disse ainda a dirigente alemã.
As declarações de Merkel denotam uma enorme preocupação pelas potenciais consequências deste incidente, condenado em capitais por todo o mundo.
As embarcações tinham partido ontem do Chipre, desrespeitando o aviso israelita de que todos os barcos que tentassem entrar nas suas águas seriam interceptados. Durante a noite Israel decidiu agir contra a frota, que estava ainda em águas internacionais: os israelitas dizem que os seus comandos foram recebidos a bordo de um dos navios com resistência e que foram forçados a disparar. Nos navios seguiam 10 mil toneladas de ajuda humanitária.
Inquérito imediato
União Europeia, Nações Unidas e dezenas de países e de associações de defesa de direitos humanos estão a pedir um inquérito imediato ao incidente. O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se de urgência mais ao final do dia. Já durante a tarde estarão reunidos os embaixadores dos Vinte e Sete países da UE.
A Alta Representante Para a Política Externa da UE, Cahterine Ashton, “expressou o seu profundo repúdio face às notícias de perda de vidas e feridos" e reclamou ainda “a abertura imediata, contínua e incondicional do bloqueio à circulação de ajuda humanitária, bens comerciais e pessoas de Gaza e para Gaza."
O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, classificou o ataque como um “massacre”. Os Estados Unidos lamentaram as vítimas e disseram estar “a trabalhar para compreender as circunstâncias que rodearam a tragédia”.
O chefe da Liga Árabe, Amr Moussa, condenou aquilo que classificou como um "crime contra uma missão humanitária" e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, apelidou o incidente de "massacre" e decretou três dias de luto nos territórios palestinianos.

