As forças militares sírias voltaram a bombardear intensamente Homs esta manhã, no que activistas e residentes descrevem como a ofensiva “mais violenta” nos últimos dias sobre a cidade. Terão morrido pelo menos 50 pessoas nesta ofensiva, de acordo com dados recolhidos por um alto dirigente de um dos mais representativos grupos de oposição, o Conselho Nacional Sírio.
"Os dados que recebemos de vários activistas em Homs desde que que começou o ataque desta manhã apontam para 50 mortos, a maioria civis. O regime actua como se fosse imune a qualquer intervenção internacional e usa a violência contra a população sem qualquer problema", disse à Reuters Catherine al-Talli.
O novo assalto a Homs começou, pelas 2h00 (locais, meia-noite em Portugal continental) e Baba Amro foi um dos bairros mais visados pela artilharia do Exército. Este ataque, precisam ainda testemunhas locais, visou mais alvos do que nos dias anteriores, sendo registados bombardeamentos sobre aquele bairro e também sobre os de Khalidiya, Bayada e Bab Dreib.
“Eles querem expulsar o Exército Síria Livre a todo o custo”, contou um residente, identificado como Hussein Nader pela agência noticiosa britânica Reuters, referindo-se ao braço armado da rebelião, formado sobretudo por soldados desertores das tropas de Assad, que há vários meses conseguem manter o controlo de alguns bairros de Homs.
Outros moradores da cidade descrevem disparos múltiplos de rocket a serem feitos “com segundos de intervalo, sobre o mesmo alvo”. Algumas testemunhas narram que um dos alvos da artilharia esta manhã é um hospital de campanha das forças revoltosas, onde se encontram centenas de pessoas feridas em anteriores assaltos das tropas sírias sobre Homs.
Segundo activistas dos direitos humanos mais de 200 pessoas foram mortas só na noite de sexta-feira, quando os tanques e a artilharia pesada das forças de Assad focaram a ofensiva no bairro de Khalidiya.
O balanço de vítimas mortais dos já 11 meses da revolta ultrapassa as sete mil pessoas, de acordo com o grupo Observatório sírio dos Direitos Humanos. A mais recente estimativa das Nações Unidas, feita em Janeiro, contabilizava mais de 5.400 mortos. O Governo sírio – que mantém estar a combater “grupos de terroristas e criminosos armados – nega estes balanços, reconhecendo apenas que dois mil membros das forças de segurança sírias foram mortos.
E permanece intransigente face à pressão internacional para pôr fim à violenta repressão da revolta, que eclodiu em meados de Março, com manifestações pacíficas, em protesto contra a corrupção, e à qual as autoridades responderam com a mobilização de tanques e soldados para dentro das cidades revoltosas.



