Tropas americanas prenderam filho do líder do maior partido xiita iraquiano

23.02.2007 - 18:37 Por AFP, Reuters
O filho do xeque Abdel-Aziz Hakim, líder do maior partido xiita iraquiano, foi hoje detido por tropas norte-americanas quando regressava do Irão, sendo libertado ao final de algumas horas.
“A coluna de veículos em que seguia foi parada quando regressava do Irão. Ele foi detido, juntamente com dois dos seus seguranças”, afirmou um responsável do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (CSRII), o maior partido da coligação governamental.
Segundo a mesma fonte, que pediu para não ser identificada, Ammar al-Hakim foi detido no posto fronteiriço de Mehran, 130 quilómetros a leste de Bagdad, aparentemente porque o automóvel em que seguia tinha vidros fumados, o que é proibido no país.
A televisão pública iraquiana também noticiou a detenção, acrescentando que o dirigente xiita tinha sido levado para a base americana de Kut, 175 quilómetros a sudeste de Bagdad.
“Se até amanhã não for libertado, vamos organizar uma manifestação em Najaf”, a principal cidade do xiismo iraquiano, acrescentou o responsável partidário, minutos pouco antes de Ammar ter sido posto em liberdade.
O Exército norte-americano não se mostrou disponível para comentar esta informação, mas o embaixador dos EUA em Bagdad apressou-se a negar qualquer motivação política. “Desconheço as circunstâncias desta detenção, ainda estamos a averiguar, mas não quisemos faltar ao respeito a Abdel-Aziz Hakim ou à sua família”, disse Zalmay Khalilzad.
Ammar é apresentado várias vezes como “número dois” do pai, líder da mais poderosa formação xiita. O CSRII foi fundado em 1982 no vizinho Irão (O Iraque vivia então sob o jugo do regime do sunita Saddam Hussein), por Mohammed Bakr al-Hakim, tio de Ammar que viria a ser morto num atentado em Najaf, em Agosto de 2003.
Apesar de acusado por Washington de ligações a Teerão e de manter uma milícia armada (Brigadas de Badr) o CSRII é considerado moderado na cena política iraquiana e Abdel-Haziz Hakim foi mesmo recebido na Casa Branca, em Dezembro do ano passado.


