"Troika" europeia aconselha Irão a prosseguir negociações sobre programa nuclear

27.06.2005 - 17:41 Por Reuters, PUBLICO.PT
Os Governo da Alemanha, de França e do Reino Unido aconselharam o Irão a prosseguir as negociações com vista à regularização do seu programa nuclear, depois de o novo Presidente iraniano ter anunciado a intenção de reiniciar, a breve prazo, o enriquecimento de urânio.
Mahmoud Ahmadinejad, eleito na sexta-feira passada para a presidência, anunciou ontem a intenção de continuar as negociações com a "troika" europeia, mas disse que o Irão tem direito a enriquecer urânio, pois precisa "do seu programa nuclear para produção de energia, fins médicos e agrícolas".
Reagindo com prudência às declarações de Ahmadinejad, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Philippe Douste-Blazy, disse esperar que Teerão "mantenha o compromisso assumido em Novembro" de 2004, altura em que aceitou suspender o enriquecimento de urânio a fim de evitar sanções internacionais. "É absolutamente necessário que mantenhamos a actividade diplomática relativa à suspensão do programa nuclear", afirmou o chefe da diplomacia francesa.
O mesmo entendimento tem o seu homólogo alemão, Joschka Fischer, para quem "o acordo [de Novembro] deve ser mantido", enquanto o chefe da diplomacia britânica instou o novo Presidente iraniano a "cumprir os compromissos assumidos pelos seus antecessores".
Os três países lideram as negociações internacionais para tentar que o Irão (que em 2003 admitiu ter realizado durante anos experiências nucleares secretas) renuncie às partes mais polémicas do seu programa nuclear, em especial o enriquecimento de urânio – uma actividade essencial para produzir o combustível usado nas centrais nucleares, mas que pode ser usada para fabricar ogivas nucleares.
Os países europeus sustentam que se o programa nuclear iraniano for certificado, o país pode importar urânio já enriquecido e para convencer o Irão dos benefícios dessa opção propuseram-lhe um conjunto de ajudas económicas e tecnológicas.
Contudo, Teerão insiste que o seu programa nuclear destina-se unicamente à produção de energia, pelo que o enriquecimento de urânio é um direito do qual não irá prescindir em definitivo, e considera insuficientes as ajudas oferecidas.
Face ao impasse, o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, anunciou ontem que a "troika" vai fazer uma "oferta agressiva" ao regime iraniano, mas admitiu que ninguém pode impedir o país de desenvolver tecnologia nuclear com fins civis, "embora isso não agrade a alguns".
Schoeder referia-se aos EUA, que acusam o Irão de estar a usar o seu programa nuclear para camuflar actividades militares e que têm insistido para que o caso seja levado ao Conselho de Segurança da ONU – o organismo com poder para instaurar sanções internacionais contra Teerão.
Três dias depois da eleição do ultraconservador iraniano para a presidência, a Casa Branca reafirmou hoje que a Administração americana "continua a apoiar os esforços da ‘troika europeia’", mas admite estar "céptica" quanto aos resultados das negociações. "Resta saber quais são as reais intenções do pequeno grupo de personalidades que foram eleitas para dirigir o Irão", afirmou Scott McClellan, porta-voz da presidência americana.

