O ex-líder dos sérvios na Bósnia Radovan Karadzic, que está a ser julgado no Tribunal Penal Internacional para ex-Jugoslávia por genocídio e crimes de guerra, vai ter um advogado para o defender. A nomeação de um advogado foi imposta pelo tribunal de Haia depois de Karadzic ter estado ausente em duas audiências sob pretexto de precisar de mais tempo para preparar a defesa.
Karadzic, acusado por 11 crimes cometidos durante a guerra na Bósnia, de 1992 a 1995, foi detido em Julho do ano passado e tinha pedido mais dez meses para se preparar. Agora o tribunal decidiu impor um advogado e marcar o reinício do julgamento para 1 de Março, para lhe dar tempo para estudar o processo.
“O acusado causou uma pausa no julgamento, o que era obviamente o seu propósito”, adiantou o tribunal em comunicado. “Mas o interesse da justiça é melhor servido com a designação de um advogado”.
Karadzic disse que pretende levar a cabo a sua defesa, ainda que esteja a ser apoiado por uma equipa de juristas. Agora irá manter o direito a defender-se, mas se continuar a boicotar o julgamento será o advogado nomeado a representá-lo.
Na terça-feira, numa audiência dedicada a questões processuais, o ex-líder dos sérvios na Bósnia, de 64 anos, disse que se opunha à nomeação de um advogado. Um dos conselheiros jurídicos, Marko Sladojevic, disse à AFP que há ainda a hipótese de apresentar recurso mas que Karadzic “irá adoptar uma abordagem construtiva e procurar encontrar um compromisso que satisfaça todos.”
O juiz sul-coreano O-Gon Kwon, que preside o julgamento, também aconselhou Karadzic a colaborar com o novo advogado, que deverá ser conhecido em breve, “para que ele ou ela possa usar de forma eficaz o tempo disponível para a preparação.”
A acusação inclui vários crimes, mas o ex-líder dos sérvios na Bósnia está sobretudo a ser acusado pelo cerco de 42 meses à cidade de Sarajevo, em que morreram 10 mil pessoas, e pelo massacre em Srebrenica, em 1995, em que foram mortos 8000 muçulmanos da Bósnia. Foi detido em Julho do ano passado depois de 13 anos em que conseguiu escapar à justiça e viveu em Belgrado disfarçado de Dragan Dabic, um alegado especialista em medicinas alternativas.


