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Empresas alegam falta de segurança

Transportadores paquistaneses suspendem abastecimento aos militares estrangeiros no Afeganistão

15.12.2008 - 14:56 Por AFP, PÚBLICO

Empresas de transportes paquistanesas anunciaram que vão suspender as entregas de mantimentos aos militares estrangeiros no Afeganistão devido ao agravamento das condições de segurança na zona de fronteira, palco nas últimas semanas de vários ataques.
Três quartos do abastecimento da ISAF entra no Paquistão pela fronteira paquistanesa Três quartos do abastecimento da ISAF entra no Paquistão pela fronteira paquistanesa (Fabrizio Bensch/Reuters (arquivo))

Uma coluna de camiões partiu esta manhã da cidade de Peshawar, sob apertada escolta militar, transportando equipamento para as forças da NATO e o contingente americano, relata a BBC online. Mas os motoristas garantiram que esta será a última viagem de reabastecimento num futuro próximo.

“Decidimos suspender a partir de hoje o reabastecimento às forças estrangeiras no Afeganistão”, declarou Mohammad Shakir Afridi, presidente da associação que representa as empresas de transporte do noroeste do Paquistão.

O responsável adiantou que a associação “dispõe de 3500 camiões”, que transportam entre “60 a 70 por cento” de todas as mercadorias importadas pelo Afeganistão. A BBC adianta ainda que três quartos dos abastecimentos que chegam por via terrestre aos militares estrangeiros estacionados no Afeganistão entram no país pela fronteira paquistanesa.

Contudo, nos últimos meses, os camiões com mercadorias para as tropas no Afeganistão foram alvo de vários ataques, ainda em território paquistanês, atribuídos a grupos taliban. Já este mês, 300 camiões que estavam estacionados num entreposto da região, carregados com mercadorias destinadas à NATO, foram incendiados.

Estes ataques vieram revelar a vulnerabilidade da cadeia de abastecimento militar ao Afeganistão, numa altura em que os EUA se preparam para duplicar o número de soldados enviados para o país, actualmente estimados em 32 mil efectivos.

A maioria dos camiões de abastecimento entra no país através da passagem de Khyber, uma zona montanhosa à qual só é possível aceder atravessando a região autónoma tribal paquistanesa, zona que escapa ao controlo dos militares de Islamabad e que é considerada refúgio para os combatentes da Al-Qaeda.

Em Novembro, um líder taliban paquistanês ameaçou bloquear o abastecimento às forças da NATO e dos EUA no Afeganistão, privando-as de combustível, alimentos e equipamento necessários à sua permanência no país.

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