Tony Blair defende continuação da presença militar no Iraque

27.03.2006 - 08:23 Por Maria João Guimarães, , (PÚBLICO)
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, faz hoje uma defesa da política externa britânica, defendendo a manutenção das tropas no Iraque a Afeganistão. Blair vai dirigir-se ao Parlamento em Melbourne, numa altura em que na Austrália aumenta a pressão para a retirada dos australianos no Iraque.
No discurso, divulgado ontem pelos media, Blair dirá que esta não é a altura de sair do Iraque: "Quanto as coisas se tornam difíceis, temos de estar à altura", declarará perante o Parlamento. "Não é altura de desistir. É tempo para a coragem aparecer", cita a agência Reuters.
O argumento não é apenas a segurança. "Esta é a era em que tudo está interligado", diz Blair. "Todos reconhecemos isso quando se trata de economia, comunicações e cultura, mas o mesmo aplica-se à política. A luta no mundo de hoje não é apenas entre segurança, é sobre valores e sobre humanidade", sustenta o primeiro-ministro britânico.
"Para vencer, temos de ganhar a batalha das ideias tanto como a das armas. Temos de mostrar que estes não são valores ocidentais, e muito menos americanos ou anglo-saxónicos, mas valores da cidadania comum de humanidade, valores universais que devem ser o direito do cidadão global."
"Contra nós estão os que nos odeiam, mas para além destes há muitos mais que não nos odeiam, mas questionam os nossos motivos, a nossa boa fé, até a nossa imparcialidade, que poderiam apoiar os nossos valores mas que acreditam que os apoiamos de modo selectivo - estas são as pessoas que temos de convencer", diz, ainda de acordo com os excertos citados pela agência britânica.
"Se queremos proteger o nosso modo de vida", conclui Blair, "não há alternativa se não lutar por ele".
Este é o segundo de três grandes discursos que o primeiro-ministro britânico fará sobre a política externa britânica. O último será proferido durante uma visita aos EUA.


