Os Tigres Tamil recusaram organizar uma retirada para os cerca de 250 mil civis que se encontram nas zonas de guerra mas afirmam que não impuseram quaisquer restrições a quem pretendesse sair.
Os rebeldes separatistas respondem assim ao pedido do Governo do Sri Lanka, que ontem deu um prazo de 48 horas para os rebeldes se renderem e para que fosse aberto um corredor humanitário destinado aos civis.
O Presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, afirmou que os civis estão a ser utilizados como “escudos humanos”, e garantiu uma “passagem segura” para os civis que pretendem sair da zona sob controlo dos guerrilheiros para áreas dominadas pelo Governo.
“Não impusemos qualquer restrição aos indivíduos, mas não vamos organizar uma saída organizada contra a vontade colectiva das pessoas que procuraram refúgio longe do genocídio militar”, disse ao Times of India, o chefe político dos Tigres Tamil, Balasingham Nadesan.
Segundo a BBC, o líder Tamil terá afirmado que 28 civis já morreram desde que o governo abriu uma passagem para os não combatentes. Nadesan tem apelado a várias agências humanitárias internacionais para uma acção urgente no sentido de evacuarem os feridos do local, disse a mesma estação.
À medida que as forças governamentais intensificam a ofensiva sobre os rebeldes, aumentam as preocupações da comunidade internacional relativamente à situação dos cidadãos que se encontram nas zonas de conflito e os receios de que a realidade seja mais grave do que se conhece. Na quinta-feira as agências de ajuda humanitária evacuaram centenas de civis feridos para um hospital na cidade de Vavuniya, incluindo 50 crianças em estado crítico.
A União Europeia já apelou para o fim do conflito. “Isto é uma catástrofe humana em escalada. Estamos extremamente preocupados sobre a terrível situação que as pessoas estão a enfrentar” disse Louis Michel, o Comissário Europeu para a Ajuda Humanitária. Navi Pillay, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, partilha as mesmas preocupações e alerta para a possibilidade de “graves atentados aos direitos humanos por ambas as partes. É imperativo saber mais sobre o que se está a passar exactamente”.
As contradições entre as declarações do Governo e dos Tigres Tamil e as restrições ao acesso às zonas de guerra dificultam o trabalho dos repórteres. Os Repórteres sem Fronteiras apelaram na quinta-feira ao Governo para permitir que os jornalistas reportem a realidade de um modo independente.
O Ministro dos Direitos Humanos disse ontem que “as operações militares vão continuar até que todas as áreas sejam libertadas”. O Governo adiantou também que está confiante de que a guerra terminará nos próximos dias.
Nos últimos meses o exército capturou as zonas estratégicas e as bases militares mais importantes dos separatistas Tamil.
Os LTTE lutam por um estado Tamil independente nas zonas Norte e Este da ilha e os confrontos entre as forças do Governo e os separatistas arrastam-se desde 1975. Estima-se já tenham vitimado cerca de 70 mil pessoas.



