Tibete: autoridades dizem que uma centena de manifestantes se entregou à polícia

18.03.2008 - 16:31 Por PÚBLICO, Agências
As autoridades chinesas do Tibete garantem que uma centena de pessoas se entregou à polícia, reconhecendo ter participado nos motins de sexta-feira passada em Lhasa, capital do território. As organizações pró-tibetanas denunciam, por seu lado, rusgas policiais para deter envolvidos nas manifestações.
O número foi avançado por um responsável da administração tibetana, citado pela televisão estatal chinesa, segundo o qual as pessoas que se renderam “participaram nos motins e alguns estiveram directamente envolvidos em espancamento e na destruição, saque e fogo posto” de lojas e edifícios públicos.
“Alguns entregaram mesmo dinheiro que tinham roubado”, afirmou.
Este é o primeiro número divulgado pelas autoridades locais desde a meia-noite de ontem, fim do prazo dado pelo governo tibetano para que os participantes nas manifestações se entregassem. As autoridades prometiam clemência, avisando que quem ignorasse a ordem seria severamente punido pelos seus actos.
Apesar do encerramento das fronteiras do Tibete, organizações pró-independência denunciam aos meios de comunicação social que as autoridades não esperaram pelo fim do prazo para começarem buscas domiciliárias para deter envolvidos nas manifestações.
Um correspondente da BBC no Oeste da China relata que longas colunas de viaturas militares continuam a afluir às montanhas do Tibete, havendo informações de que as tropas enviadas por Pequim estão a fechar os acessos às cidades onde se registaram manifestações nos últimos dias.
Com as fronteiras fechadas, os turistas que se encontravam no território estão a ser conduzidos de avião para o vizinho Nepal. Os estrangeiros relatam a violência dos últimos dias, a começar pelas manifestações pacíficas da semana passada, a detenção dos monges que as lideraram e a violência que sexta-feira varreu a cidade, depois de rumores de que alguns monges tinham sido mortos.
Em declarações à BBC, Claud Balsiger, um turista suíço, relatou que os manifestantes atacaram “tudo o que parecia chinês”. À AFP, o canadiano John Kenwood contou como grupos de jovens espancaram pessoas da etnia han, que têm sido encorajados por Pequim a migrar para o território, sendo acusados de destruir a cultura e o modo de vida tibetano.
Confrontado com estes relatos, um porta-voz do governo tibetano no exílio, lamentou a violência de alguns protestos, que garante ser contrária aos ensinamentos do Dalai Lama, denunciando também a extrema violência usada pelos militares para esmagar os protestos, maioritariamente pacíficos.


