Teste da Coreia do Norte: Obama apela a acção internacional, Japão avisa que tomará “medidas severas” 
25.05.2009 - 09:28 Por PÚBLICO, Agências
O novo teste nuclear realizado hoje pela Coreia do Norte é “motivo de grave inquietação para todos os países”, disse o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, num comunicado divulgado horas depois da confirmação do segundo ensaio nuclear de Pyongyang. “É um acto intolerável”, denunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Hirofumi Kakasone, avisando que o Japão, “enquanto único país vítima de um bombardeamento atómico”, deverá tomar “medidas severas”.
Tóquio pediu de imediato à presidência russa da ONU para organizar uma reunião do Conselho de Segurança e esta já foi convocada para as 16h00 em Nova Iorque (21h00 em Lisboa). E o Japão quer uma nova resolução das Nações Unidas: o teste “viola claramente a [anterior] resolução da ONU e é inaceitável”, disse o primeiro-ministro Taro Aso.
A Coreia do Norte realizou às 9h54 locais (00h54 de Lisboa), o seu segundo ensaio nuclear de sempre, 375 quilómetros a nordeste Pyongyang. Segundo a Rússia, a potência foi 10 a 20 vezes superior ao do primeiro ensaio, em Outubro de 2006. Horas depois do teste nuclear, Pyongyang parece ter disparado um míssil de curto alcance, diz a agência sul-coreana Yonhap.
O Governo nipónico vai reunir o seu conselho de segurança nacional ao fim do dia, em Tóquio. Vizinho e inimigo da Coreia do Norte, o Japão é um dos países mais críticos dos programas nuclear e balístico de Pyongyang. As autoridades reclamaram já o mês passado uma resolução da ONU a condenar o regime comunista pelo disparo de um míssil que Tóquio considerou de longo alcance.
Na altura, o Conselho de Segurança optou por uma simples declaração. E o Japão renovou por um ano as sanções que impusera ao Norte após o ensaio nuclear de Outubro de 2006, proibindo todas as exportações vindas de Pyongyang, o acesso aos seus portos de navios norte-coreanos e, salvo em casos particulares, o acesso ao seu território de cidadãos da Coreia do Norte.
Ameaça de novos ensaios
Em Londres, o primeiro-ministro Gordon Brown, condenou os testes desta manhã, descrevendo-os como “errados e um perigo para o mundo”. “A França vai consultar os parceiros no Conselho de Segurança e na região sobre as consequências a retirar destes sérios actos da Coreia do Norte, e em particular no fortalecimento de sanções”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês num comunicado.
Outros países já reagiram, falando numa nova provocação do regime de Kim Jong-il e prometendo reacções severas, mas o principal destinatário do teste de Pyongyang está identificado e chama-se Estados Unidos. E se Washington continuar “com a sua política de intimidação” contra a Coreia do Norte, disse um alto responsável da embaixada de Moscovo à agência russa ITAR-Tass, Pyongyang realizará “outros ensaios nucleares”.

