Televisão chinesa atrasa transmissão em directo da chegada da chama olímpica

31.03.2008 - 10:45 Por Lusa
A televisão estatal chinesa transmitiu hoje em directo para todo o país a chegada da chama olímpica a Pequim com minutos de atraso, depois dos protestos que marcaram a cerimónia do acender da chama na Grécia.
A CCTV (China Central Television) transmitiu a chegada do avião fretado da Air China que trouxe a chama olímpica da Grécia para Pequim com um ícone no canto superior direito do ecrã indicando aos telespectadores que a emissão estava a ser em directo. Mas a CCTV transmitiu a chegada a Pequim com cerca de um minuto de atraso.
Na segunda-feira passada, dia 24, a CCTV cortou as imagens da cerimónia do acender da chama em Olímpia, na Grécia, para não exibir na China o momento em que manifestantes passaram pela segurança do local interrompendo o discurso do presidente da Comissão Organizadora dos Jogos de Pequim (BOCOG, na sigla em inglês), Liu Qi.
A CCTV utilizou imagens de arquivo do local da cerimónia em Olímpia para substituir o momento em que três activistas da organização Repórteres sem Fronteiras tentaram tirar o microfone a Liu e desenrolaram uma faixa negra de protesto contra a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim.
Hoje, a CCTV “atrasou” a transmissão do momento em que Qi saiu do avião em Pequim a carregar a tocha e atravessou a passadeira vermelha estendida na pista de aterragem. À espera de Qi encontrava-se Zhou Yongkang, alto responsável do Politburo do Partido Comunista Chinês e o máximo responsável pelas forças de segurança da China.
Forte presença policial
Além desta medida, a segurança e a presença policial no aeroporto de Pequim foram extremamente apertadas durante o dia de hoje, sobretudo para evitar que se repetissem os protestos que abalaram a cerimónia da chama em Atenas.
O mesmo se verificou na Praça de Tiananmen, o coração político e simbólico de Pequim, para onde a tocha olímpica foi transportada em carro fechado numa caravana de seis veículos policiais para uma cerimónias de boas-vindas.
A Praça de Tiananmen, enfeitada de bandeiras chinesas e fechada ao público desde a noite de ontem, também esteve rodeada de fortes medidas de segurança que obrigaram todas as pessoas, artistas, voluntários e jornalistas, a passar por detectores de metais e a abandonar objectos como isqueiros à entrada.
O percurso da tocha começa na terça-feira quando a chama “sagrada” parte em direcção a Almaty, a primeira paragem de uma viagem que vai levar a chama a 19 países durante o mês de Abril e num percurso de três meses por toda a China.
Porém, os tumultos tibetanos, a questão dos Direitos Humanos na China e a censura à liberdade de imprensa são alguns dos assuntos que ameaçam perturbar o percurso da chama olímpica. Grupos de activistas manifestaram-se durante a cerimónia da chama olímpica em Olímpia, na Grécia, e organizaram protestos durante o transporte da tocha até ao aeroporto de Atenas.


