O Irão suspenderá as suas relações com a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) se o Conselho de Segurança da ONU lhe impuser sanções, afirmou hoje um alto responsável iraniano, Ali Larijani.
"Se forem decididas sanções contra nós, a nossa relação com a AIEA será suspensa", declarou o secretário do Conselho Supremo da Segurança Nacional do Irão, que chefia a equipa responsável pelas negociações sobre o processo nuclear, durante uma conferência sobre a energia nuclear, em Teerão.
Este responsável acrescentou que o Irão não pretende utilizar o petróleo como arma, mas admitiu que caso o país seja sujeito a "medidas radicais" no âmbito do seu programa nuclear, isso terá "consequências importantes no petróleo".
O Irão tem-se recusado a satisfazer um apelo do Conselho de Segurança das Nações Unidas para suspender as suas actividades de enriquecimento de urânio, pedido cujo prazo de cumprimento termina sexta-feira, e incorre no risco de sanções.
"Se (os membros do Conselho de Segurança) nos ameaçarem ou impuserem sanções, não esperem que mantenhamos a mesma relação com a AIEA", advertiu Larijani.
O Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, já tinha reiterado ontem a advertência de que o Irão poderia reconsiderar a sua relação com a AIEA e abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear se os Ocidentais tentarem "privá-lo dos seus direitos" quanto ao programa nuclear.
Também o ex-Presidente Akbar Hachemi Rafsandjani veio ontem a público afirmar que o programa nuclear iraniano "nunca teve objectivo militar e continua a não ter". "Estamos prontos para prosseguir uma política de confiança, mas não suportamos a pressão", acrescentou.
O Conselho de Segurança pediu a Teerão para suspender a sua actividade de enriquecimento de urânio até 28 de Abril. Consultas entre membros do Conselho vão ter lugar esta semana sobre um projecto de resolução que poderá forçar legalmente o Irão a atender este pedido.



