A decisão do Governo britânico em relação ao Irão é “insuportável”, sustentou hoje o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, um dia depois de o Reino Unido ter decidido fechar a embaixada daquele país em Londres retaliação ao ataque de que a missão diplomática do Reino Unido foi alvo em Teerão.
“É um comportamento insuportável para com o povo iraniano”, disparou Larijani, avaliando ainda a reacção britânica – em que se incluiu também a ordem de expulsão do pessoal diplomático iraniano – como “excessiva” e um gesto “para mostrar que [o Reino Unido] é um país importante”.
Num discurso inflamado, citado pelos media estatais iranianos, Larijani, uma das vozes da linha dura do regime, questionou a presença dos britânicos no Irão: “Até quando devemos aceitá-los quando eles se imiscuem em todos os assuntos dos interesses internos do país?”
Na véspera, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, William Hague, confirmara oficialmente a decisão de fechar a embaixada britânica em Teerão, que fora atacada e saqueada no dia anterior por manifestantes pró-regime de Teerão, “não sem o consentimento até certo ponto do regime iraniano”. Também a residência diplomática britânica em Golhak, na zona norte da capital iraniana, foi atacada ao mesmo tempo que a embaixada.
Pouco antes o Governo do Reino Unido tinha também anunciado que todo o pessoal diplomático da representação britânica recebera ordem para deixar a República Islâmica e que os funcionários da embaixada iraniana em Londres tinham que deixar o país “nas próximas 48 horas”.
Esta escalada de tensão irá ser discutida hoje entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em Bruxelas, sendo esperado que os chefes da diplomacia da UE cheguem a uma posição conjunta, com a França a pressionar para sanções mais duras contra o Irão, que poderá mesmo passar por um embargo ao petróleo iraniano.
Libertados 11 dos atacantes à residência diplomática britânica
As autoridades iranianas deram entretanto hoje ordem de libertação a 11 dos manifestantes que saquearam a residência diplomática britânica de Golhak, os quais tinham sido detidos na véspera durante o ataque. A agência noticiosa Fars descreve-os como “estudantes das universidades de Teerão".
Ontem, o porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Ramin Mehmanparast, lamentara o sucedido e anunciara prontamente a abertura de “inquéritos judiciais” contra os manifestantes que atacaram tanto a residência diplomática como a embaixada.
Notícia actualizada às 12h30



