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As autoridades tchetchenas pró-russas estão optimistas

Tchetchénia escolhe hoje novo Parlamento em eleições polémicas

27.11.2005 - 10:12 Por José Milhazes, PÚBLICO

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O Kremlin tenta demonstrar que a situação se está a normalizar no Cáucaso do Norte O Kremlin tenta demonstrar que a situação se está a normalizar no Cáucaso do Norte (DR)
Cerca de meio milhão de eleitores, incluindo trinta e cinco mil soldados russos, elegem, hoje, o novo Parlamento da Tchetchénia, que o Kremlin considera mais uma peça importante da pacificação nesse território rebelde do Cáucaso do Norte. O órgão legislativo será constituído por duas câmaras: a alta, o Conselho da República, com 21 senadores, e a baixa, a Assembleia Popular, com 40 deputados.

O escrutínio deveria ter-se realizado nos finais de 2004, mas foi adiado devido à morte do anterior presidente da Tchechénia pró-russa, Akhmad Kadirov, num atentado à bomba perpetrado pelos separatistas a 9 de Maio do ano anterior.

As autoridades tchetchenas pró-russas estão optimistas quanto ao resultado das eleições. "As eleições serão democráticas e nelas participarão de 60 a 70% dos inscritos" - declarou Alú Alkhanov, Presidente da Tchetchénia pró-russa, acrescentando: "o facto de se realizar o escrutínio já é um sinal de estabilidade. Não temos nada a esconder".

O Kremlin tenta também demonstrar que a situação se está a normalizar no Cáucaso do Norte. Segundo Alexandre Tchekalin, vice-ministro do Interior da Rússia, "o número de actos terroristas diminuiu no ano corrente 53 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, a taxa de descoberta dos autores desses crimes aumentou 15 por cento. Este resultado foi conseguido graças à aplicação inteligente de forças e meios no Sul da Rússia".

Porém, Tchekalin anunciou que a segurança das 428 secções de voto e a ordem na Tchetchénia será garantidas por 27.500 polícias. Além disso, Moscovo tem estacionados nessa república 60 mil soldados.

A oposição e os grupos de defesa dos direitos humanos consideram que a incessante violência, em forma de atentados terroristas, sequestros e impunidade militar, impossibilitam a celebração de um escrutínio democrático e livre.

A campanha eleitoral ficou marcada por cenas de violência. Dia 16 um grupo de soldados embriagados russos assassinaram três tchetchenos que se negaram a pagar o suborno para atravessar um posto de controlo nos arredores de Grozni.

"Hoje na Rússia não é possível eleições democráticas. Na Tchetchénia, ainda mais difícil devido à insegurança", considera Galina Mikhailovna, porta-voz do partido da oposição liberal Iabloko.

Não obstante, oito partidos políticos de nível federal concorrem no escrutínio, entre os quais o partido governamental "Rússia Unida", que apresentou 22 candidatos, é o grande favorito. Os liberais do Iabloko avançaram com 20; os nacionalistas da Ródina (Pátria), 16; a União das Forças de Direita, 15; os comunistas, 12; os ultranacionalistas de Jirinovski, 10; a "Vontade Popular", 5 e a "União Euroasiática", 6.

Guerrilha não reconhece

Salam Acuiev, vice-presidente da "Rússia Unida" na Tchetchénia, considera que o seu partido "poderia conquistar todos os lugares, mas, nesse caso, todos diriam que as eleições não são democráticas". "Por isso - conclui - o Kremlin ajudará os partidos pequenos a conseguir lugares no novo Parlamento".

Não obstante o ambiente existente, Galina Mikhailova considera que o partido Iabloko deve participar: "Se queremos encontrar uma solução para o conflito, a Tchetchénia deve dispor de um órgão legislativo. É mais fácil conseguir um acordo num Parlamento do que com armas na mão".

Os guerrilheiros não comprometidos em crimes de sangue são também autorizados a participar nas eleições. Magomed Khambiev, antigo ministro da Defesa da Itchkéria (como é conhecida a Tchetchénia entre os independentistas), integra a lista da União das Forças de Direita. "Quero ser deputado para lutar pela independência da Itchkéria e melhorar a vida do povo", declarou Khambiev.

Quanto à guerrilha independentista, comandada por Chamil Bassaiev, já anunciou não reconhecer os resultados e continuar a luta armada pela independência do território.

Não obstante o convite das autoridades locais, nem a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, nem a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa enviaram observadores por considerar que "a insegurança impede que a votação decorra com normalidade".

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