Os taliban libertaram duas reféns que faziam parte de um grupo de 23 sul-coreanos sequestrados em Julho. As duas mulheres, que estariam doentes, foram entregues a um líder tribal, que as encaminhará para a Cruz Vermelha afegã.
"Elas foram-nos entregues há pouco", disse Haji Zahir, numa entrevista por telefone à AFP, adiantando que as duas mulheres "parecem de boa saúde e vão ser entregues ao Comité Internacional da Cruz Vermelha" em Ghazi, capital da província com o mesmo nome.
A libertação era esperada desde sábado, dia em que os taliban anunciaram que teriam "um gesto de boa vontade" em relação aos reféns sul-coreanos.
A libertação foi sendo sucessivamente adiada, mas o governador da província de Ghazi (onde ocorreu o sequestro) disse ontem ter recebido garantias de que as duas reféns seriam entregues hoje às autoridades.
Desde o final da semana passada que os rebeldes afegãos (derrubados do poder pela intervenção militar norte-americana, no Outono de 2001) negoceiam directamente com uma delegação enviada por Seul para conseguir a libertação do grupo, sequestrado a 19 de Julho.
Esta manhã, um diplomata sul-coreano garantiu, em declarações à AFP, que a delegação está a manter "bons contactos" com os taliban, escusando-se a revelar se foi dada qualquer contrapartida para a libertação das reféns.
Os sequestradores exigiam que o Governo afegão libertasse dezenas de taliban presos nas cadeias do país, mas Cabul rejeitou, dizendo temer que a cedência instigasse novos sequestros. Face à recusa, os sequestrados executaram dois dos reféns, gerando uma onda de comoção na Coreia do Sul que obrigou o Governo de Seul a aceitar negociar com os sequestradores.


