Tajiquistão e Uzbequistão abrem portas a rota norte-americana para o Afeganistão

20.02.2009 - 10:59 Por Dulce Furtado, com agências
As autoridades do Tajiquistão e do Uzbequistão deram esta manhã luz verde para que passe pelos seus territórios a rota de abastecimentos para a coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos, no Afeganistão – mas apenas envolvendo material não militar e, em caso algum, soldados para reforçar o combate contra a rebelião taliban.
Estes dois países da Ásia Central, a par da Rússia e do Cazaquistão, integram uma rota por terra alternativa ao nó de distribuição que os Estados Unidos – e seus parceiros da NATO – estavam a usar, desde 2001, no Quirguistão para fazer chegar os abastecimentos ao Afeganistão.
A Rússia, já há mais de uma semana, sinalizara disponibilidade para deixar passar as cargas não militares da NATO; e o Cazaquistão concordara também em permitir passagem de materiais que incluem equipamentos de construção, medicamentos e água.
Washington ficou numa situação de difícil resolução quando, no início de Fevereiro, o Presidente do Quirguistão, Kurmanbek Bakiev, anunciou que pretendia pôr fim ao contrato de arrendamento feito aos Estados Unidos da base aérea de Manas – onde estão colocados mil soldados norte-americanos e por onde passam cerca de 15 mil militares e 500 toneladas de carga por mês para a coligação internacional no Afeganistão. É ali também que está estacionado o gigantesco avião norte-americano de reabastecimento em pleno voo que alimenta os caças em missões de combate no Afeganistão.
Alegando uma “recusa” dos Estados Unidos em renegociar os preços do arrendamento, Bakiev deu directivas de aceleração legislativa à “ordem de despejo” – a qual foi, de resto, hoje mesmo assinada pelo chefe de Estado, depois de, na véspera, ter sido aprovada por uma esmagadora maioria no Parlamento (78 votos a favor de entre 90 deputados).
Isto deixou os Estados Unidos com pouca margem de manobra e um problema de tempo: assim que for recebida a nota formal de fim de contrato de arrendamento, enviada pelo Ministério quirguize dos Negócios Estrangeiros, os Estados Unidos têm que deixar Manas dentro de um máximo de seis meses. O que pode causar alguns problemas aos planos do novo Presidente norte-americano, Barack Obama, de reforçar para quase o dobro o contingente de 32 mil soldados no Afeganistão nos próximos 12 a 18 meses – os primeiros 17 mil com ordem de marcha já para o próximo Verão.
“Planeamos enviar entre 50 e 200 contentores por semana a partir do Uzbequistão para o Tajiquistão e depois até ao Afeganistão”, precisou o responsável norte-americano pelo comando militar de transportes, Mark Harnitchek, em declarações ao canal público de televisão tajique, e sublinhando a importância do Tajiquistão nesta operação, por se encontrar “próximo das bases” dos Estados Unidos.

