Primeiro-ministro promete acção decisiva para restabelecer normalidade

Tailândia: manifestantes ocupam edifícios públicos para forçar demissão do Governo

26.08.2008 - 15:03 Por PÚBLICO, Agências

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Os manifestantes, leais ao rei Bhumibol Adulyadej, ocuparam a sede do Governo Os manifestantes, leais ao rei Bhumibol Adulyadej, ocuparam a sede do Governo (Chaiwat Subprasom/Reuters)
Milhares de manifestantes invadiram esta manhã a sede do Governo tailandês, vários ministérios e uma das principais televisões do país, numa iniciativa concertada para forçar a queda do executivo de Samak Sundaravej, há apenas sete meses em funções.

O chefe de Governo conseguiu escapar ao cerco e numa declaração feita ao início da noite, partir de um complexo militar, acusou os partidários da Aliança do Povo para a Democracia (PAD) de quererem derrubar pela força o poder eleito. O movimento, liderado por empresários e académicos monárquicos, iniciou em Maio passado uma campanha de rua para forçar a demissão de Samak, a quem acusam de ser o “testa de ferro” do ex-primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, afastado pelos militares face às suspeitas de corrupção.

“Eles querem um derramamento de sangue no país. Querem que os militares voltem a sair à rua e a tomar novamente o poder”, acusou o primeiro-ministro, garantindo que está disposto a usar “todos os meios para restabelecer a normalidade tão cedo quanto possível”.

Samak não fez qualquer referência a uma eventual declaração do estado de emergência no país, mas o porta-voz da polícia tailandesa anunciou já foi pedida autorização judicial para deter os líderes do PAD, uma vez que estes ignoraram o prazo que lhes foi dado para evacuarem os edifícios ocupados, esgotado às 18h00 locais (12h00 em Lisboa).

Os manifestantes, que a polícia calcula em cerca de 20 mil, entraram ao início da manhã o bairro de Banguecoque onde estão concentrados os serviços governamentais e, perante a passividade das autoridades, ocuparam a sede do Governo, os ministérios das Finanças, Transportes e Agricultura, o quartel-general da polícia, antes de entrarem invadindo no edifício do NBT, a estação pública tailandesa.

Pouco depois da tomada da sede do Governo, um dos principais líderes do PAD, Chamlong Srimuang, ironizava a situação: “Viemos aqui apenas para nos proteger do sol tropical e para utilizar as casas de banho”. Vestidos de amarelo, em sinal de fidelidade ao rei Bhumibol Adulyadej, os manifestantes voltaram a reivindicar a demissão de Samak.

Com o avançar das horas, o primeiro-ministro dava sinais de impaciência, garantia que não iria deixar o poder cair na rua, dizendo contar com o apoio do Exército para reinstalar a ordem na capital. “Não me demitirei. Vou continuar [em funções] para proteger o país”, afirmou Samak, vencedor das primeiras legislativas organizadas na Tailândia depois do golpe de Estado de Setembro de 2006, protagonizado por militares monárquicos, que derrubou Thaksin.

O próprio chefe do Estado-Maior do Exército tailandês, Anupong Paojinda, rejeitou qualquer intervenção dos militares para derrubar o poder eleito. “O público não deve entrar pânico”, afirmou, garantindo que os soldados permanecem subordinados ao Governo”.

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