Os militares que tomaram o poder na Tailândia anunciaram hoje a criação de uma comissão de inquérito para investigar as suspeitas de corrupção que recaem sobre os membros do Governo deposto.
A junta militar, que justificou o golpe militar da passada terça-feira com o envolvimento do primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, em casos de corrupção, explicou que a comissão terá poderes para confiscar os bens dos políticos sob suspeita e os dos seus familiares.
“O conselho [militar] pensa que alguns membros do Governo abusaram dos seus poderes e causaram prejuízos ao país”, lê-se num comunicado lido esta noite na televisão pública.
Segundo a nota, a comissão irá investigar “os projectos iniciados pelo Governo em relação aos quais existem suspeitas de corrupção”, mas também “os membros de anteriores governos que possuam fortunas suspeitas, bem como as suas esposas e filhos”.
“Uma das razões que eles deram para justificar o golpe de Estado foi a corrupção. Agora têm que a provar”, afirmou Thitinan Pongsudhirak, professor de Ciência Política em Banguecoque, acrescentando que a medida se destina também a “evitar que Thaksin regresse ao país”.
O primeiro-ministro deposto é detentor de um império no sector das telecomunicações, detendo também interesses na aviação comercial e media.
A fortuna, anterior à sua chegada ao Governo, acabaria por lhe causar embaraços, quando, em Janeiro, a imprensa noticiou que elementos da sua família tinham vendido as suas participações no grupo a uma “holding” de Singapura, pela quantia de 1900 milhões de dólares, beneficiando de importantes isenções fiscais.
Desde o golpe militar, que o surpreendeu em Nova Iorque, Thaksin refugiou-se num hotel de luxo em Londres, mas a junta militar já garantiu que ele pode regressar à Tailândia.



