Tailândia: Chefe das forças armadas apela à dispersão e a novas eleições

26.11.2008 - 12:06 Por PÚBLICO, Agências
O chefe das Forças Armadas tailandesas pediu hoje ao primeiro-ministro que organize novas eleições e incentivou os manifestantes antigovernamentais que abandonem todos os locais que ocupam em Banguecoque, incluindo o aeroporto internacional da capital tailandesa.
“Não se trata de um golpe de Estado”, esclareceu o general Anupong Paojinda, explicando as suas intenções, numa conferência de imprensa após uma reunião de emergência de responsáveis militares e económicos do país.
O líder do Exército pediu ao primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, que dissolva a câmara baixa do Parlamento, menos de um ano após as eleições legislativas de Dezembro de 2007, vencidas por maioria pelo partido actualmente no poder.
Somchai Wongsawat, que participou numa cimeira de países da zona Ásia-Pacífico, no Peru, aterra hoje à noite em Baguecoque (hora local). “Vamos remeter-lhe uma carta dizendo que deverá dissolver a câmara e convocar novas eleições”, declarou o general Anupong.
O líder do Exército apelou igualmente aos manifestantes antigovernamentais da coligação Aliança do Povo para a Democracia (People's Alliance for Democracy, PAD) que abandonem todos os locais que ainda ocupam em Banguecoque, nomeadamente o aeroporto internacional de Suvarnabhumi.
“A PAD deverá dispersar imediatamente de cada local que ainda ocupa”, disse. “O governo ainda mantém a autoridade”, disse o chefe do Exército.
A invasão do aeroporto, ontem, foi o culminar de uma intensa jornada de protestos que causou pelo menos onze feridos em consequência de protestos entre membros da PAD e apoiantes pró-governamentais numa das principais artérias da cidade que vai dar ao antigo aeroporto, a norte de Banguecoque.
Há seis meses que os militantes do PAD ocupam o local onde se situa o Parlamento. Os manifestantes querem a demissão do Governo, que consideram corrupto e que dizem ser controlado à distância pelo ex-primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, que é cunhado do actual chefe do Governo e está no exílio no Dubai, após ter sido condenado à revelia por corrupção, em Agosto.
Manifestantes recusam dispersar
Já depois do apelo do chefe das Forças Armadas, um líder dos manifestantes que ocupa o aeroporto rejeitou o seu pedido estimando igualmente que novas eleições não irão resolver o conflito.
“O primeiro-ministro Somchai Wongsawat deverá demitir-se”, reafirmou Pibhop Dhongchai, um dos principais organizadores dos protestos no seio da PAD.
“A PAD vai continuar no aeroporto”, disse, sublinhando que “a solução não passa pela dissolução do Parlamento” nem pela convocação de novas eleições.
Embaixador aconselha portugueses a encontrarem alternativas de viagem
Entretanto, em declarações à TSF, o embaixador português em Banguecoque, António Faria e Maia, aconselhou os portugueses que estão na Tailândia a procuparem alternativas para sairem do país, uma vez que o aeroporto se encontra encerrado. De acordo com a rádio, o aeroporto está sitiado, mas até ao momento a embaixada portuguesa ainda não recebeu nenhum pedido de ajuda.
"Estamos a aconselhar os portugueses que se encontram na Tailândia para acompanharem a situação através das companhias aéreas, agências de viagens e embaixada para saberem quando será restabelecida a normalidade e entretanto encontrarem alternativas, na medida em que está novamente aberto a voos internacionais o antigo aeroporto", indicou o embaixador.


