Suspeito admite responsabilidade pelos ataques que fizeram 93 mortos

24.07.2011 - 07:52 Por Susana Almeida Ribeiro, Agências
Anders Behring Breivik, um norueguês simpatizante das ideologias de extrema-direita, admitiu ser o responsável pelos ataques que fizeram 93 mortos e 97 feridos em Oslo e na ilha de Utoya, o pior acto de violência cometido na Noruega desde a II Guerra Mundial. Breivik declarou ainda ter agido sozinho.
“Ele reconhece os factos”, declarou ontem à noite o advogado Geir Lippestad à televisão norueguesa NRK. “Ele explicou que sabia tratar-se de um acto cruel, mas que devia levar a cabo estas acções nos seus termos”, indicou o causídico, acrescentando que os ataques “foram planeados durante um longo período”.
O suspeito indicou ainda à polícia que agiu sozinho. Anders Behring Breivik irá amanhã apresentar-se diante de um juiz.
Entretanto, ao final da manhã de hoje, a polícia norueguesa tinha detido uma série de suspeitos numa operação levada a cabo no leste de Oslo, mas pouco depois anunciou que todos tinham sido libertados por não terem nenhuma ligação aos atentados.
Também ao final da manhã de hoje, um ds feridos nos ataques que estava internado no hospital acabou por morrer, fazendo aumentar para 93 o número de vítimas mortais contabilizadas até ao momento.
Anders Behring Breivik queria "acordar as massas"
A AFP avança hoje que, segundo um documento de cerca de 1500 páginas alegadamente da autoria do suspeito (mas assinado com o nome Andrew Berwick) e que estava alojado online, Anders Behring Breivik planeava estes ataques desde o Outono de 2009.
Nesse documento, a que a AFP teve acesso, o principal suspeito detalha os preparativos da sua acção, evocando “o uso do terrorismo como um meio de acordar as massas” e admitindo estar preparado para ser encarado “como o maior monstro desde a II Guerra Mundial”.
Breivik, que foi detido no próprio dia dos atentados na ilha de Utoya, é considerado pelas autoridades como o "suspeito número um" do ataque à bomba em Oslo e do massacre numa Universidade de Verão do Partido Trabalhista, próximo da capital norueguesa.
“O suspeito permaneceu na ilha até que a polícia chegou e entregou-se sem oferecer resistência”, explicou ontem o comissário Sveinung Sponheim, da polícia de Oslo.
O massacre durou “cerca de uma hora e meia”, disse o mesmo responsável, precisando que o suspeito tinha duas armas de fogo em sua posse.
A polícia declarou ainda que o suspeito não explicou os seus motivos.
O principal suspeito dos ataques - e agora autor confesso - é, segundo os media nacionais, um fundamentalista cristão norueguês de 32 anos.
Entretanto, segundo a AFP, surgiu online um vídeo publicado no YouTube - e, segundo os media noruegueses, atribuído a Breivik - contendo opiniões violentas contra o Islão, o Marxismo e o multiculturalismo.
No final deste vídeo, o suspeito aparece em três fotografias, uma das quais o mostra com uma arma na mão, em posição de ataque.
Publicado no dia dos ataques, o vídeo descreve o Islão como “a principal ideologia dos genocídios”. “Antes de começar a Cruzada, é nosso dever dizimarmos o marxismo cultural”, pode ainda ler-se neste vídeo.
Os dois alvos dos ataques foram o governo Trabalhista do primeiro-ministro Jens Stoltenberg e o campo onde estava reunida a juventude do Partido Trabalhista.
O Partido do Progresso (FrP), uma formação da direita populista norueguesa, anunciou que o suspeito se tornou militante em 1999 e que abandonou a formação em 2006. “Entristece-me ainda mais saber que essa pessoa estava entre nós”, declarou a presidente do FrP, Siv Jensen.
Numa mensagem colocada online em 2009 no site de debates www.document.no, Breivik criticava o FrP de se vergar ao “multiculturalismo” e às “ideias suicidárias do Humanismo”.
De acordo com a fundação Expo, um observatório de grupos de extrema-direita com base em Estocolmo (Suécia), o suspeito estava inscrito desde 2009 num fórum extremista sueco na Internet.
No seu perfil no Facebook (entretanto desactivado), o homem de cabelos loiros descreve-se como “conservador”, “cristão”, “celibatário", interessado em “caça” e em jogos como “World of Warcraft” e “Modern Warfare 2”.


