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Khamenei insiste que contestação deve ser feita "pelas vias legais"

Supremo Líder iraniano ordena investigação às denúncias de fraude eleitoral

15.06.2009 - 10:20

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Ayatollah Khamenei apoiou Ahmadinejad nas eleições da semana passada Ayatollah Khamenei apoiou Ahmadinejad nas eleições da semana passada (Raheb Homavandi/Reuters )
O ayatollah Ali Khamenei ordenou ao Conselho dos Guardiões que investigue as denúncias de fraude eleitoral apresentadas pelos candidatos derrotados nas presidenciais de 12 de Junho, anunciou hoje a televisão pública iraniana. Mas, num encontro domingo com Mir-Hossein Mousavi, o Supremo Líder iraniano avisou que a contestação deve ser feita “pelas vias legais”, num claro aviso contra a continuação dos protestos nas ruas.

O Conselho dos Guardiões – organismo composto por seis teólogos e seis juristas, que supervisiona todas as leis e decide quem pode ou concorrer a eleições – anunciou, entretanto, ter recebido duas queixas formais e disse que daria um parecer no prazo de 10 dias.

Apesar da verificação de queixas ser um procedimento habitual, a ordem para que o Conselho “investigue cuidadosamente” as denúncias representa um recuo inesperado do Khamenei, que no sábado veio a público legitimar os resultados, pedindo a todos os candidatos e seus apoiantes que apoiassem o Presidente eleito.

No entanyo, o Supremo Líder, citado televisão pública, sublinha que qualquer contestação deve “ser feita com dignidade” e “pelas vias legais”.

Mousavi adiou marcha

O Presidente iraniano adiou a visita que tinha hoje à Rússia para participar numa cimeira da Organização da Cooperação de Xangai (OCS). Mahmoud Ahmadinejad não parte hoje mas sim amanhã, esclareceu um membro da sua delegação, numa altura em que a situação permanece tensa e indefinida no país.

Moussavi adiou a manifestação que tinha prevista com os seus apoiantes esta tarde em Teerão depois de o Ministério iraniano do Interior ter declarado que a iniciativa era ilegal.

O candidato derrotado disse, no entanto, que decidia adiar a marcha “até obter uma autorização” da parte das autoridades, lê-se no seu site de campanha na Internet. No mesmo comunicado, citado nas agências, o candidato moderado protestou "vigorosamente contra a decisão discriminatória e ilegal” e lançou um novo apelo à calma.

A União Europeia pediu ao Governo iraniano para não usar a força na contenção dos protestos dos apoiantes de Moussavi. A comissária para as Relações Externas Benita Ferrero-Waldner apelou ainda às autoridades para analisarem as queixas de irregularidades.

Desde sábado que o anúncio de uma expressiva vitória do actual Presidente Mahmoud Ahmadinejad nas eleições levou a fortes e por vezes inéditos protestos na capital, e em outras cidades iranianas. Mousavi pediu ao principal organismo legislativo da República Islâmica que anulasse os resultados devido a alegadas irregularidades, uma acusação que tanto o Ministério do Interior como Ahmadinejad negam – o Presidente acusou a oposição de se comportar "como os adeptos de uma equipa de futebol" derrotada.

Respondendo à marcha que a oposição planeava para hoje, o Ministério afirmou que “alguns elementos revoltosos planearam uma manifestação... Qualquer distúrbio à ordem pública será lidada de acordo com a lei”.

Ontem, no centro da capital, forças antimotim e muitos agentes à paisana dispersaram 200 manifestantes com bastonadas e gás lacrimogéneo, disparando ainda tiros de aviso para o ar e dezenas de pessoas foram detidas.

Notícia actualizada às 14h01

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