Os suíços votam hoje a recondução e a extensão à Bulgária e à Roménia dos acordos sobre a livre circulação dos trabalhadores da União Europeia (UE), uma votação que coloca em xeque anos e anos de cooperação entre Berna e Bruxelas.
A maioria dos cinco milhões de eleitores helvéticos já votaram por correspondência e os últimos eleitores iam exercer o seu direito de voto esta manhã.
A votação é seguida de perto em Berna e em Bruxelas uma vez que, em caso de vitória do “não”, vários acordos económicos cairiam, colocando uma sombra nas relações entre a Suíça e a Comissão Europeia, já agravadas pela questão do segredo bancário suíço.
Em vigor desde 2002, a livre circulação de trabalhadores da União Europeia está associada a seis acordos económicos, que facilitam as trocas comerciais entre a Confederação Helvética e os estados membros da UE. Se a livre circulação de trabalhadores da União chumbar, todos esses acordos serão automaticamente anulados, devido à “cláusula da guilhotina”.
Bruxelas disse ainda que uma vitória do “não” anularia a recente adesão da Suíça ao espaço Schengen. Se vier a ser esse o resultado do referendo, a Suíça regressaria ao estatuto de pequeno país independente, mais isolado entre os vizinhos europeus em relação aos quais tem uma forte dependência económica.
As autoridades suíças não estão a encarar essas ameaças de ânimo leve, uma vez que o resultado do referendo não parece adquirido. Em 2000, 67 % por cento dos suíços estavam de acordo com a livre circulação de trabalhadores da UE e com os acordos bilaterais, uma percentagem que baixou para 56 por cento em 2005, quando esses acordos foram alargados aos dez estados membros que entraram nesse ano na União. As sondagens dão agora uma maioria mínima ao “sim” (50 %). O “não” recolhia 43 % das intenções de voto, mas os sete por cento de indecisões poderão fazer a diferença.
A crise perturbou os esforços dos defensores do sim, por causa dos receios relativamente ao emprego. A única força que se opõe aos acordos, a União Democrática do Centro (direita populista) explorou esse receio, garantindo que os búlgaros e os romenos vão “roubar” os empregos aos suíços.



