A mulher sudanesa julgada ontem em Cartum por ter usado calças em público saiu da prisão após o sindicato de jornalistas ter pago a multa de 209 dólares a que fora condenada.
Lubna Hussein podia ter sido condenada a 40 chicotadas, depois de ter sido presa, em conjunto com outras 12 mulheres, sob a acusação de usar vestuário indecente. O tribunal decidiu ontem substituir essa pena numa multa de 209 dólares, em alternativa a 30 dias de prisão. Mas Lubna, uma ex-jornalista que trabalha actualmente para as Nações Unidas, não aceitou pagar a multa, como forma desafiar a legitimidade da lei.
Libertada hoje, após o sindicato dos jornalistas ter pago a multa, Lubna não ficou satisfeita. “Tinha dito aos meus amigos e à minha família para não pagarem. Não estou feliz, porque há 700 mulheres presas que não têm quem pague por elas”.
Dez das 12 mulheres presas com a ex-jornalista foram chicoteadas e Lubna usou o seu caso para pressionar as autoridades sudanesas numa matéria em que os agentes da autoridade têm uma grande latitude para definir o que é e o que não é “decente”, refere a Reuters. Ontem, compareceu de calças em tribunal e admitiu recorrer da sentença, por não se reconhecer culpada.
O sindicato que pagou a multa é visto como tendo ligações ao regime de Cartum e o seu presidente, Mohieddin Titawi, não deu explicações sobre os motivos pelos quais pagou a multa.


