Strauss-Kahn será arguido por suspeita de cumplicidade em proxenetismo e receptação

22.02.2012 - 17:12 Por Clara Barata
Dominique Strauss-Kahn saiu nesta quarta-feira em liberdade após cerca de 36 horas de interrogatório numa esquadra de Lille pelos juízes de instrução do caso Carlton, que investigam uma rede de proxenetismo. Mas voltará a ser chamado a depor a 28 de Março, já na qualidade de arguido, por “cumplicidade em proxenetismo, agravada por participar em bando organizado”, e por “abuso de bens sociais, na força de receptação”.
O ex-patrão do Fundo Monetário Internacional enfrenta penas entre cinco e 20 anos de prisão se vier de facto a ser acusado e dado como culpado dos crimes de que agora é considerado suspeito. Em causa estão as “festas libertinas”, como as qualificou, e que levaram a investigação da justiça chegou a uma rede de proxenetismo no norte de França e na Bélgica.
As mulheres que participavam nestas festas eram prostitutas que trabalhavam para Dodo La Saumure (a Salmoura), proprietário de vários bordéis na Bélgica, junto à fronteira. Dodo garante, no entanto, que as mulheres eram “trabalhadoras independentes”. Mas foi com a sua prisão, na Bélgica, que começou a investigação do processo, que em França tem como ponto fulcral o Hotel Carlton, em Lille.
Strauss-Kahn, que se saiba, nunca esteve nesse hotel — a sua ligação ao caso são as mulheres dos bordéis de Dodo, que seriam levadas até ele por dois empresários, Fabrice Paszkowski e David Roquet. O dinheiro para pagar às prostitutas levadas para as festas seria desviado por Paszkowski e Roquet das empresas em que trabalhavam.
Paszkowski era um amigo chegado de DSK, como os franceses lhe chamam, aquele com quem ele trocava sms, que no âmbito do processo são passados a pente fino, em busca de pistas. Os juízes tentam determinar se o ex-patrão do FMI sabia ou não que as festas se faziam com prostitutas. Strauss-Kahn garante que não.
Roquet — que chegava a fazer audições para escolher as mulheres que mais agradariam ao político socialista que no início do ano era o preferido dos franceses para ser o próximo Presidente da República — confessou-se fascinado por Strauss-Kahn. Disse que usava a sua proximidade com ele para obter futuras vantagens. Por isso pedia facturas das suas despesas, das viagens que pagava, e identitificava-as como “DSK”.
A empresa para a qual trabalhava — a Eiffage, um grande grupo de obras públicas — tinha conhecimento disto, afirma.
Uma das acusações que pende sobre Dominique Strauss-Kahn prende-se precisamente com o benefício de bens comprados com verbas das empresas usado para fins indevidos — neste caso, para pagar a prostitutas. Os investigadores querem perceber se DSK sabia que as mulheres eram prostitutas. Ele garante que não.
DSK foi também interrogado por funcionários da Inspecção Geral da Polícia Nacional (a polícia das polícias) sobre as suas relações com o comissário Jean-Christophe Lagarde, chefe da segurança do Departamento do Norte e um dos participantes nas “festas libertinas” de Paris e Washington.
Notícia actualizada às 21h05


