Dominique Strauss-Kahn, antigo director-geral do FMI acusado de ter violado uma funcionária da limpeza de um hotel nova-iorquino, foi libertado sem pagamento de caução. A libertação está relacionada com o facto de ter sido posta em causa a credibilidade da mulher que o acusou.
O juiz Michael Obus disse hoje no tribunal de Nova Iorque a frase que Strauss-Kahn desejaria ouvir desde que foi detido a 14 de Maio: “Entendo que as circunstâncias deste caso mudaram substancialmente e concordo que o risco de [Strauss-Kahn] não estar aqui diminuíram bastante. Liberto-o à sua responsabilidade”. O antigo director do FMI sai em liberdade e são também devolvidos os 6 milhões de dólares que pagou de caução quando ficou em prisão domiciliária.
A reviravolta no caso deveu-se à alegada falta de credibilidade da mulher que apresentou queixa por abusos sexuais, a qual é reconhecida pelo própria acusação. Numa carta enviada aos advogados de Strauss-Kahn, o procurador diz que a empregada do hotel onde o director do FMI esteve hospedado admitiu perante o júri que mentiu sobre o que aconteceu naquele dia.
Inicialmente a queixosa disse que informou um supervisor pouco após a alegada violação. “Mas depois admitiu que esse testemunho foi falso e que depois do incidente na suite 2806 foi limpar um quarto próximo, voltou à suite 2806 e começou a limpá-la antes de contar o que aconteceu ao supervisor”, lê-se na carta, citada pela Reuters.
A audiência foi breve, durou cerca de 10 minutos. Strauss-Khan saiu do tribunal sorridente, abraçado à sua mulher, Anne Sinclair. A acusação adiantou que a investigação irá continuar, o antigo director do FMI não poderá deixar Nova Iorque e a próxima audiência deverá realizar-se a 18 de Julho.
A decisão de libertar Strauss-Kahn foi tomada horas depois de se saber que o caso contra Strauss-Kahn poderia cair por terra após terem sido detectadas falhas graves na credibilidade da acusadora, como escreveu o “New York Times”.
No centro desta eventual reviravolta no caso está, segundo o NY Times, a falta de confiança que a acusação começa a ter na acusadora e sobre aquilo que ela alega ter-lhe acontecido no quarto do Sofitel, ainda que haja provas "não ambíguas" de um envolvimento de cariz sexual entre Strauss-Kahn e a alegada vítima.
Citando dois agentes de justiça não identificados, o "New York Times" escreve que foram encontrados “grandes buracos” no caso, hoje apresentados diante do supremo tribunal estatal de Manhattan.
De acordo com estas fontes não identificadas pelo jornal, a mulher que acusa Dominique Strauss-Kahn (DSK) terá mentido várias vezes à polícia, nomeadamente sobre o seu pedido de asilo aos EUA (é natural da Guiné). A mulher disse aos investigadores - após o caso DSK - que alegou violação e mutilação genital aquando do seu pedido de asilo, mas os agentes foram verificar os documentos oficiais e essas informações não constam do processo.
Mais: um dia depois de ter acusado DSK, a mulher terá mantido uma conversa por telefone com um homem (alegadamente o seu noivo) que está detido por posse de droga, durante a qual ela discute os possíveis benefícios da acusação contra o ex-director do FMI. Essa conversa foi gravada.
Sabe-se igualmente que o seu alegado noivo lhe fazia depósitos regulares de dinheiro na sua conta bancária, bem como vários outros homens, alegadamente amigos do seu noivo. Durante cerca de dois anos, essas transferências para a sua conta bancária terão totalizado a soma de 100 mil dólares, ainda de acordo com o NYT. A credibilidade da mulher poderá, pois, estar ferida de morte, ainda que estes desenvolvimentos não signifiquem que DSK é inocente.
Nas últimas semanas, os advogados de DSK - Benjamin Brafman e William W. Taylor III - tinham feito saber que a sua estratégia seria a de verificarem por todos os meios a credibilidade da mulher.
O advogado da mulher, Kenneth Thompson, declarou, contrariando a posição da própria acusação durante a audiência, que a empregada do hotel "não mudou uma palavra" quanto à sua versão dos factos e que apresentou "provas materiais" da agresssão sexual.



