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Inquérito anual junto dos advogados de família do Reino Unido

Sorry darling mas já não gosto de ti

07.09.2011 - 15:21 Por Ana Gomes Ferreira

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"In The Car", um quadro de Roy Lichtenstein "In The Car", um quadro de Roy Lichtenstein ()
Perderam estatuto. Já não é por causa delas - as amantes - que a maior parte dos casamentos acaba. E, nisto das rupturas, os homens britânicos estão a ficar mais corajosos.

Um estudo realizado junto de 90 advogados especializados em família no Reino Unido concluiu que é o fim do amor a principal razão para os divórcios no país. Antes, eram as relações extraconjugais as responsáveis pela maior parte das rupturas.

Em época em que a longevidade impera e nos dizem que é normal não pensarmos no casamento como para toda a vida, sobretudo quando o amor e o desejo acabam (o afecto pelo outro pode durar para sempre), os britânicos não querem prolongar uniões estéreis e sem sentido. E divorciam-se.

Por isso, 27 por cento dos advogados (ou firmas) inquiridas pela empresa de consultadoria Grant Thorton (que há sete anos realiza, anualmente, este inquérito; o agora divulgado diz respeito aos divórcios de 2009) disseram que as principais razões dos seus clientes são o fim do amor e o "fomo-nos afastando". É uma subida significativa em relação a 2008, ano em que apenas seis por cento dos inquiridos mencionaram a falta de amor.

"O caso típico é a relação ir saindo da lista de prioridades, substituída pela pressão do trabalho, pelas questões financeiras ou pelo que significa criar uma família", disse ao Daily Telegraph Christine Northam, consultora da organização não-governamental Relate. "As relações precisam de atenção e de tempo para crescerem, caso contrário os casais vão-se afastando".

Razões muito válidas. Mas mais válidas do que ter amantes? O estudo dá conta de um decréscimo nos divórcios devido a relações extramatrimoniais (25 por cento, o que faz esta justificação perder o primeiro lugar que mantinha desde o primeiro inquérito). Porém, o perdão das infidelidades tem mais a ver com o decalque do comportamento dos outros do que a convicção própria.

"Há um número crescente de celebridades que aceitam a infidelidade nos seus casamentos ou relações. Esse comportamento pode estar a começar a ter efeito nos casais, com mais casamentos a sobreviverem à infidelidade", disse, também ao Telegraph, Louisa Plumb, da Grant Thorton UK. Afinal, se as estrelas do futebol Peter Crouch, Ashley Cole e Wayne Rooney ultrapassaram os affairs e fizeram por salvar os seus casamentos, por que não havemos nós de fazer o mesmo?

Um motivo que as celebridades não invocam para o divórcio é o dinheiro, mas cinco por cento dos advogados disseram que a ele se devem as separações. Também há casais que mantêm uma união falhada para não perderem qualidade de vida. Oitenta e dois por cento dos inquiridos disseram que a recessão está a impedir as pessoas de tomar a decisão e 54 por cento disseram que a perda de valor dos bens (sobretudo das casas) também impede os casais de se separarem. Se no passado a venda de uma casa permitia comprar duas, mais pequenas, agora essa aritmética é impossível.

"Apesar de oficialmente a economia já não estar em recessão há mais de um ano, ainda há indicadores claros de que a questão financeira é um factor decisivo para decidir o momento do divórcio e da divisão de bens", disse Geoff Mesher, da Grant Thorton UK, ao jornal The Guardian.

E porque há sempre histórias feias quando se fala de divórcios, os advogados revelaram que há casos em que um "já não gosto de ti" não chega. Há quem queira passar mensagens mais claras, ou mais fortes, não hesitando em liquidar todos os bens neste momento tão desfavorável, aceitando perder dinheiro só para penalizarem o outro na partilha.

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love

o problema do amor é que do amor ao ódio a distancia é uma linha muito ténue!

Paulo Margarido

08.09.2011 15:09

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