Os líderes islamistas da Somália aceitaram hoje abrir novas negociações com o frágil Governo de transição do país, numa tentativa de evitar uma guerra civil, informaram os tribunais islâmicos.
“Os tribunais islâmicos aceitaram a oferta de negociações do presidente do Parlamento de transição”, disse Mohamed Ibrahim, alto responsável do Conselho Supremo Islâmico da Somália (SCIS).
“Estamos dispostos a continuar o processo de paz em Cartum”, acrescentou, precisando que os islamistas terão na terça-feira uma reunião de trabalho sobre a retoma das negociações.
Esta decisão surge depois do presidente do Parlamento de transição, Sharif Hassan Cheikh Aden, ter reunido com a União dos Tribunais Islâmicos (UIC), em Mogadíscio, para tentar “evitar uma guerra iminente na Somália”.
À sua chegada à capital, Aden disse que “a principal razão da sua vinda a Mogadíscio era continuar as negociações entre a UIC e o Governo” de transição.
Falando da sua vontade de “evitar uma guerra iminente na Somália”, Aden acrescentou “querer deter o banho de sangue” no seu país e obter o apoio dos islamistas e do Governo.
Até ao momento, o Governo de transição não reagiu a esta decisão.
As negociações entre o Governo e o movimento islamista – que controla o Sul e o Centro da Somália – fracassaram na quarta-feira em Cartum, Sudão, e foram adiadas “sine die”.
O Governo de transição está sediado em Baidoa, a 250 quilómetros da capital Mogadíscio, cidade tomada em Julho pela UIC. Durante a reunião, Aden terá pedido para o Governo se instalar em Mogadíscio, contou Ibrahim.
A Somália mergulhou no caos depois da guerra civil em 1991. O Governo de transição, em funções desde 2004, mostra-se incapaz de restaurar a ordem, enquanto os islamistas continuam a espalhar a sua influência no país.



