Soldados israelitas filmam-se a humilhar prisioneiro palestiniano

07.11.2008 - 13:05 Por Margarida Santos Lopes
Soldados da Brigada de Infantaria Golani – a mais condecorada unidade de elite do Exército israelita, protagonista de arrojadas operações militares em várias guerras – filmaram-se a si próprios a humilhar um prisioneiro palestiniano, vendado e algemado, num checkpoint na Cisjordânia. As imagens transmitidas pelo Canal 10, uma das estações de televisão do país, estão disponíveis na edição electrónica de hoje do diário “Ha’aretz”, de Telavive.
O prisioneiro é visto de joelhos, com um sorriso de vergonha e embaraço, a repetir, num hebraico que ele não domina, o que os militares lhe ordenam. Uma das frases que o obrigam a dizer, palavra a palavra, é esta: “Golani vai enfiar-te um pau pelo cu acima”.
À medida que o prisioneiro vai balbuciando o que lhe mandam, ouvem-se os soldados a rir às gargalhadas. O “Ha’aretz” pediu um comentário a um antigo comandante da Brigada Golani que se mostrou chocado com este comportamento, considerando que não lhe pareceu haver necessidade de os soldados “descarregarem tensões” daquele modo.
O Exército emitiu, entretanto, um comunicado em que “condena vigorosamente” as acções dos soldados envolvidos na filmagem, referindo que só teve, alegadamente, conhecimento deste “incidente” quando recebeu a gravação do Canal 10. Garantiu ainda que já está em marcha uma investigação.
Em Julho, já tinham sido divulgadas imagens de um palestiniano vendado e algemado a ser alvejado a tiro, à queima-roupa, por um militar que obedecia a ordens do seu comandante. O prisioneiro, que ficou apenas ferido num pé, era um activista civil, Ashraf Abu Rahma, de 27 anos, detido durante uma manifestação pacífica contra o “muro de separação”, na aldeia de Ni’lim, na Cisjordâna.
O castigo que o Exército aplicou ao soldado e ao oficial envolvidos neste caso foi apenas uma reprimenda, o que gerou protestos de várias organizações israelitas de direitos humanos, designadamente o B’Tselem, que no ano passado entregou 100 câmaras de vídeo a palestinianos no âmbito do seu “Shooting Back Project”. Quem filmou Rahma foi uma menina de 14 anos, da janela da sua casa.


