José Sócrates levantou ontem implicitamente uma interrogação sobre a legitimidade do G20 para reformar o sistema financeiro internacional, ao defender a associação das organizações regionais de África, América Latina e Ásia às suas decisões.
Para o primeiro ministro português, a associação de outras zonas do Mundo enriquecerá “a legitimidade, a substância e o alcance” das decisões do G20, que volta a reunir-se em cimeira a 2 de Abril, em Londres
Esta posição foi assumida em carta enviada quarta-feira por Sócrates aos seus pares da União Europeia (UE) na perspectiva da cimeira que ontem começou em Bruxelas para permitir aos Vinte e Sete definir uma frente unida para Londres.
O G20 – que reúne os países mais ricos do Mundo (França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha, Holanda e a Comissão Europeia por parte da UE, Estados Unidos, Canadá e Japão) e as economias emergentes (África do Sul, Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia) – “permanece o fórum privilegiado no qual a UE deverá continuar a apresentar as suas propostas e a defender as melhores soluções para as principais questões com que nos confrontamos”, defende Sócrates.
“Mas – prossegue – é igualmente essencial que alarguemos a base do consenso internacional relativo às medidas políticas a tomar para resolver a crise económica e financeira e reformar o sistema financeiro internacional. Devemos alargar o âmbito deste processo de forma a abranger outros actores relevantes, reforçando assim a legitimidade e a eficácia da nossa acção”.
Sócrates defende assim que “deve ser promovida uma efectiva multilateralização dos trabalhos levados a cabo ao nível do G20” através da criação de um fórum com a participação de organizações regionais como a União Africana, ASEM (Sudeste Asiático) ou Mercosur (América Latina).
A iniciativa de Sócrates desvia-se ligeiramente da posição oficial da UE segundo a qual a gravidade da crise económica e financeira é tal que é preciso concentrar os esforços nas países que têm uma capacidade real para alterar as regras do jogo, ou seja, as grandes economias.


