Sócrates mostra nos EUA Portugal como exemplo da reforma de energias renováveis

24.09.2010 - 12:09 Por Lusa
O primeiro-ministro considerou ontem que a reforma estrutural com melhores resultados na economia incidiu na área das energias renováveis, dizendo que permitiu a Portugal poupar 100 milhões de euros anuais em importações de petróleo.
José Sócrates falava na Universidade de Columbia, no Fórum Mundial de Líderes, perante uma plateia maioritariamente constituída por estudantes.
Num discurso feito em inglês, de improviso, Sócrates tinha a ouvi-lo na primeira fila da plateia o seu ex-ministro da Economia Manuel Pinho, agora professor de uma cadeira de energias renováveis naquela universidade de Nova Iorque.
Ao longo de 25 minutos, José Sócrates falou das políticas do seu Governo para a área da energia, dizendo que provaram a tese de que “é possível fazer reformas estruturais num curto espaço de tempo”. “Em 2005, Portugal era um país com uma dependência tão grande do petróleo, que este produto era responsável por 50 por cento do défice da balança comercial. Em 2009, quatro anos depois, estamos no quinto lugar do ranking mundial das energias renováveis”, sustentou o líder do Executivo, adiantando que no primeiro semestre deste ano 66 por cento da electricidade nacional “foi baseada nas renováveis”.“Passamos a exportar mais do que a importar electricidade, acabando com um défice crónico”, acrescentou.
Na sua intervenção, Sócrates fez ainda questão de sublinhar que Portugal tem o maior parque europeu de energia eólica e o segundo maior nível de incorporação de eólica na produção de energia, logo após a Dinamarca.
“A posição de Portugal no domínio das renováveis está a crescer rapidamente e estamos na linha da frente da aposta no carro eléctrico”, disse ainda, antes de referir a meta nacional de chegar a 2020 com cerca de 60 por cento da produção eléctrica com base em fontes renováveis.
Portugal e EUA do mesmo lado na política mundial
Sócrates afirmou também que Portugal e os Estados Unidos estão do mesmo lado na política internacional, salientando que os dois países se batem pelo respeito do direito internacional no mundo, depois de ter sido interrogado por um estudante sobre qual a sua posição em relação ao actual clima de tensão diplomática entre os Estados Unidos e o Irão.
“Portugal e os Estados Unidos têm a mesma política internacional: o respeito pelo direito internacional. Penso que este é um desafio que se coloca a todas as lideranças no mundo”.
Ao longo de 40 minutos, o primeiro-ministro respondeu a perguntas de estudantes e apenas provocou um ruído de fundo na plateia quando se definiu como um político “socialista”. Mas José Sócrates tratou logo de “clarificar” que um socialista na Europa “é o que nos Estados Unidos se chama um liberal democrata”.
Outras respostas de Sócrates que causaram alguma surpresa aconteceram quando se referiu ao ideal de Segurança Social pública em Portugal e às políticas nacionais de protecção de risco na área da toxicodependência. Nestas questões, a plateia não transmitiu sinais de estar convencida com as respostas do primeiro-ministro português.


