Sócrates: luta contra alterações climáticas exige cooperação internacional sem precedentes

24.09.2007 - 17:03 Por Lusa
O primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu hoje, na ONU, a necessidade de um acordo global entre os países mais desenvolvidos para combater as alterações climáticas. O presidente em exercício da União Europeia considerou mesmo que os impactos do sobre-aquecimento do planeta exigem uma cooperação internacional sem precedentes.
"Os países mais desenvolvidos têm que acordar metas em torno da redução de emissões" poluentes para a atmosfera, declarou o presidente em exercício da UE no discurso que proferiu, em inglês, na Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
Segundo Sócrates, a existência de um compromisso detalhado entre os países mais desenvolvidos do mundo "é o ponto mais importante de ordem política".
Na sua intervenção, o primeiro-ministro português expôs em pormenor os objectivos da UE para o combate às alterações climáticas, sustentando que as consequências negativas da poluição ambiental "exigem agora um grau de cooperação internacional sem precedentes".
"A cooperação internacional deverá ser baseada num princípio comum, mas com graus de responsabilidade diferentes" em termos de metas de cumprimento por parte de cada país.
Neste contexto, Sócrates referiu que a UE está "preparada para reduzir as emissões de dióxido carbono (CO2) em 30 por cento até 2020", mas isto "no contexto de um acordo internacional em que outros países desenvolvidos façam um esforço comparável e mais profundo em termos económicos".
Sócrates defendeu também que as metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa deverão tomar em linha de conta as emissões provocadas por fenómenos como "a desflorestação, a aviação internacional e o transporte marítimo".
"A UE acredita que o objectivo de redução de emissão de gases poluentes pode ser concretizada com uma boa gestão de custos, particularmente através da elevação do mercado global de carbono e do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo".
Em termos políticos, o chefe do Governo português sublinhou que o processo para um futuro acordo em torno do combate às alterações climáticas "deverá passar pelas Nações Unidas".
"No final deste ano, a próxima cimeira de Bali poderá constituir-se como um marco" no caminho negocial para um acordo sobre alterações climáticas, sustentou o primeiro-ministro. Em causa estarão as negociações para definir novas metas para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, uma vez que o período de vigência das actuais, previstas no Protocolo de Quioto, termina em 2012.
Em relação aos perigos das consequências das alterações climáticas, Sócrates frisou que sobre esta matéria "os cientistas já falaram e os economistas já também falaram".
"Chegou a hora de nós, políticos, começarmos a actuar", advertiu.

