Socialistas vencem eleições para o Senado e começam a mudar o mapa político da França

25.09.2011 - 20:22 Por PÚBLICO
A política francesa começou a mudar ontem, com as eleições para o Senado. Pela primeira vez em 50 anos, a esquerda conseguiu a maioria absoluta numa das câmaras do Parlamento, com 175 de um total de 348 lugares.
O resultado muda de tal forma o mapa político que levou a AFP a escrever que a vitória histórica dos socialistas - os mais votados - provocou “um sismo na V República”.
Durante todo o dia de domingo persistiu a dúvida sobre quem conseguiria a vitória e por que margem. Às sete da noite, um deputado socialista avançava à AFP que o seu partido ganhara 22 lugares à direita da União Popular, o partido do Presidente Nicolas Sarkozy, empatando o escrutínio. Quatro minutos depois surgiu o 23.º senador.
Estas complexas eleições senatoriais galvanizaram a esquerda (socialistas mas também outras formações representadas) já alentada pelas sondagens que auspiciam a vitória de um seu candidato nas presidenciais de 2012. Só em Outubro será conhecido o adversário socialista de Sarkozy, mas os estudos de opinião que têm sido feitos têm dado sempre vitória aos socialistas e dificilmente o chefe de Estado conseguirá um segundo mandato de cinco anos.
E neste cenário, concordavam os comentadores, os socialistas podem sonhar com o que nunca teve e que, pela primeira vez, parece estar ao seu alcance: conseguir o poder presidencial, executivo (o Governo é presidencial) e parlamentar.
Maioritariamente masculino, este órgão que representa a pequeno poder rural tem sido constituído por homens acima da meia-idade e conservadores. A sua escolha é feita através de uma mistura dos sistemas maioritário e proporcional.
A vitória socialista numas eleições em que se renovavam 170 dos 348 lugares no Senado mostrou que o rosto do poder no mundo rural também está em transformação. As cisões dentro da direita nos últimos anos foram também prejudiciais ao partido de Sarkozy. Listas saídas dessas dissidências roubaram votos que seriam essenciais para evitar a derrota por curta margem.
Criado pouco depois da Revolução Francesa, o Senado tem um papel legislativo importante e não só. Além de as leis terem que passar por si, tem poderes de deliberação sobre tratados e política externa. O seu presidente é a segunda figura do Estado, a seguir ao Presidente da República.
Uma “provação”
As últimas eleições locais e regionais já tinham mostrado a ascensão nacional dos socialistas. E o presidente da câmara de Paris, o socialista Bertrand Delanoë, defendeu na estação Rádio J que, se não fosse o modelo arcaico de votação, a chegada da esquerda ao poder seria mais célere. “A esquerda detém 60 por cento das colectividades locais. Ora o Senado é a assembleia que representa as colectividades e, se existisse um sistema democrático, a esquerda já seria maioritária no Senado.”
Antes de se saber o resultado, o que era presidente do Senado, Gérard Larcher (União Popular), dizia estar confiante de que o seu partido conseguiria manter a maioria.
Porém, adivinhava que o futuro seria uma “provação”. Perante a derrota, os problemas começam já na gestão das questões parlamentares e, depois, na preparação das presidenciais que têm lugar dentro de sete meses.
Vêm ai dois grandes projectos de lei. Já a partir de meio de Outubro, os deputados começam a discutir o financiamento da Segurança Social para 2012 e, logo de seguida, surge o orçamento para o próximo ano.
A vitória socialista vai obrigar o Governo de Sarkozy a duras negociações, apesar da declaração de intenções do presidente dos socialistas, Jean-Pierre Bel. Antes de saber o resultado do escrutínio prometera, devido ao contexto de crise que se vive na Europa, uma politica de entendimento quanto a estas duas leis.
Notícia actualizada às 14h50

