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Voto de 219 mil militantes

Socialistas franceses decidem se querem Ségolène no Eliseu

16.11.2006 - 08:46 Por Ana Navarro Pedro, em Paris, (PÚBLICO)

"Facadas nas costas" ou "rasteiras políticas": a escolha dos termos não é variada, mas tem servido para descrever a ponta final das primárias no Partido Socialista Francês (PSF) para as presidenciais.
A ex-ministra de Mitterrand mantém-se favorita A ex-ministra de Mitterrand mantém-se favorita (Luc Skeudener/EPA)

Hoje é dia de trégua, com o voto interno dos 219 mil militantes. Os candidatos à candidatura são os antigos ministros Ségolène Royal, Dominique Strauss-Kahn e Laurent Fabius (este foi também chefe do Governo, nos anos 1980).

A campanha radicalizou-se ao longo de seis semanas de debates televisivos (inesperadamente interessantes) e de debates públicos bem mais agitados. Neste mês e meio, ficou sobretudo confirmado o "fenómeno Ségolène". Pela primeira vez, em França, as sondagens indicam que os eleitores estariam dispostos a confiar a presidência da quinta economia mundial e de uma das potências nucleares ocidentais a uma mulher.

Quatro sondagens diferentes realizadas só esta semana confirmam o estatuto de "favorita" de Ségolène. Mas a determinação dos rivais permanece intacta: "Ninguém tem certezas, porque ninguém conhece a relação de forças entre os militantes. As sondagens interrogam os simpatizantes", assegura Strauss-Kahn ao diário Le Figaro. Por seu lado, Fabius pediu aos militantes que votem "com toda a liberdade", sem confiarem "na Santa Ifop ou na Santa Sofres", ou seja, nos institutos de sondagens.

Nos últimos dias, os ataques anónimos concentraram-se em Ségolène com a divulgação na Internet de um vídeo privado em que a candidata critica o "pouco trabalho dos professores". Depois de ter denunciado esta "golpada suja", Ségolène Royal, que cita frequentemente o defunto Presidente François Mitterrand, fala agora na "força tranquila" - o slogan político que continua a ser referência absoluta do socialismo francês triunfante do tempo de Mitterrand, apesar dos escândalos que mancharam os seus últimos anos de poder.

Ségolène reivindica também a sua feminilidade para simbolizar a ambição de "mudança política", e acusa Fabius e Strauss-Kahn de "machismo". Ambos refutam.

Cerca de um terço dos 219 mil militantes convidados a votar aderiram ao PSF apenas este ano, durante a campanha de Primavera na Internet, que simplificou o processo de adesão e reduziu as quotas para apenas 20 euros, em vez de uma percentagem do salário. Mas o voto destes novos recrutas é uma incógnita total, dando assim maior interesse a esta primeira volta das primárias para a liderança. Sabe-se apenas que a principal motivação dos novos militantes foi a possibilidade de escolherem o candidato socialista ao Eliseu. No entanto, a maioria aderiu quando a popularidade de Ségolène descolou nas sondagens, o que faz com que os conselheiros da candidata acreditem que o voto lhe será favorável.

Os três pretendentes irão votar hoje nas respectivas federações, na província. Nenhum prevê deslocar-se à sede do PSF, na rua de Solferino, em Paris, o centro nevrálgico do apuramento dos votos. Também não está prevista projecção dos votos, às 22h, quando fecham as urnas. Se nenhum dos candidatos obtiver a maioria, haverá segunda volta a 23 de Novembro.

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A simplificação do processo de adesão ao PS francê...

A simplificação do processo de adesão ao PS francês foi ideia e obra do ex-candidato à candidatura, ...

Anónimo

16.11.2006 10:09

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