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Primeira volta é hoje

Socialistas estreiam-se em primárias "à americana"

09.10.2011 - 11:30 Por Joana Amado

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Jean-Michel Bayle, Martine Aubry, Manuel Valls, Francois Hollande, Arnaud Montebourg, e Segolene Royal Jean-Michel Bayle, Martine Aubry, Manuel Valls, Francois Hollande, Arnaud Montebourg, e Segolene Royal (Fred Dufour/REUTERS)
François Hollande é o favorito a ser escolhido como candidato às presidenciais de 2012, num processo eleitoral inédito para os franceses

"Os dados estão lançados", profetizou Pierre Moscovici, coordenador da campanha de François Hollande, no final dos três debates televisivos que colocaram frente a frente os seis candidatos socialistas à presidência de França, antes das eleições primárias, que se realizam hoje e no próximo domingo.

A declaração de Moscovici foi criticada por muitos que a leram como um "já está tudo decidido", Hollande vai ganhar e será ele o homem que para o ano defrontará e, muito provavelmente, derrotará Nicolas Sarkozy. A verdade é que, para lá da sobranceria do seu aliado político, o antigo secretário-geral do Partido Socialista francês é mesmo o favorito para vencer estas primárias "à americana". Isto depois do ex-director do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, ter sido obrigado a renunciar à eleição, devido ao escândalo sexual em que se viu envolvido em Nova Iorque, em Maio deste ano.

Pela primeira vez em França, a escolha de um candidato socialista à presidência poderá ser feita por qualquer eleitor que pague um euro e que assine um papel a dizer que partilha "os valores da esquerda e da República". A inovação valeu uma exposição mediática inédita dos candidatos, com audiências televisivas recordes para debates políticos entre candidatos da mesma família política.

Assim, os franceses ficaram a saber que Hollande e Martine Aubry, a actual secretária-geral do PS francês, que surge em segundo lugar nas sondagens, têm mais semelhanças do que diferenças. São veteranos do aparelho socialista, defendem o plano do actual Governo para reduzir o défice orçamental abaixo dos 3% até 2011 e defendem a integração fiscal na zona euro e as eurobonds.

Hollande, que não tem qualquer experiência ministerial, usou a campanha para se definir como um homem "sério" capaz de pegar nos destinos da França, prometendo aos franceses ser "um Presidente normal" e não um "hiper-Presidente", como o supercontrolador Sarkozy,

Aubry contra-atacou nos últimos dias, definindo o seu adversário como alguém "frouxo", incapaz de tomar decisões, mais habituado a alcançar compromissos partidários nos bastidores da política. Mas se ela, Aubry, chegar à presidência da França, nunca ouvirão da sua boca um "talvez sim, talvez não". "Não se combate uma direita dura com uma esquerda mole", repetiu a candidata por diversas vezes, defendendo que está na altura de a França ter uma mulher na presidência.

As sondagens indicam que Hollande não conseguirá os 50% de votos necessários para ser eleito já hoje, sem necessidade de uma segunda volta. O último inquérito de opinião, publicado na quinta-feira no Le Figaro, dá-lhe 43% dos votos, 28% a Aubry e 11% a Segolène Royal (ela que foi derrotada por Sarkozy nas presidenciais de 2007). Também com 11% surge Arnaud Montebourg, seguido de Manuel Valls (6%) e o líder dos radicais de esquerda, Michel Baylet (1%)

Mas, sondagens à parte, ontem o "Le Monde" sublinhava em título o carácter "imprevisível" desta votação inédita em França. Os socialistas esperam a participação de pelo menos um milhão de eleitores. Alguns analistas arriscam que o número pode ser duas ou três vezes superior, dado o sucesso da campanha eleitoral. Se isso acontecer, será sinal de que "a cultura democrática francesa está num profundo caminho de remodelação", considera Gérard Grunberg, director de investigação do centro de estudos europeus Sciences Po, citado pelo jornal francês.

Sarkozy ainda não anunciou se vai recandidatar-se a um segundo mandato. Deverá fazê-lo no início do próximo ano e hoje o Presidente será certamente um dos espectadores mais atentos ao escrutínio dos socialistas. A mensagem que os franceses deixarem nas urnas irá certamente ajudá-lo a tomar uma decisão.

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Comentário + votado

Bom artigo

...so nao concordo que seja à 'americana. Neste caso qualquer pessoa pode ir votar, nao so os ...

rita

09.10.2011 12:07

X

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