Sistema antimíssil: EUA acreditam num acordo antes do final do mandato de Bush

17.03.2008 - 20:54 Por Agências
O secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates, acredita que será possível chegar a acordo com a Rússia, até ao final do mandato do Presidente George W. Bush, sobre o sistema de defesa antimíssil que Washington pretende instalar no Leste da Europa.
“Penso que a resposta é sim”, afirmou Robert Gates quando questionado sobre a hipótese de um acordo até Janeiro de 2009 em relação a uma das matérias que mais tensão tem criado entre Washington e Moscovo.
Gates e a secretária de Estado, Condoleezza Rice, foram recebidos hoje em Moscovo pelo Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu sucessor já eleito, Dmitri Medvedev, num encontro que o dirigente americano garante ter decorrido “num ambiente positivo”. “Mas vamos ter de esperar para saber se isto conduzirá a uma conclusão mais positiva”, acrescentou.
A visita dos dois responsáveis norte-americanos à capital russa visou melhorar as relações entre as duas potências, marcadas nos últimos meses por sucessivas trocas de acusações, quase sempre com o projecto americano em pano de fundo.
Um encontro entre os mesmos protagonistas em Outubro passado terminou com duras críticas de Putin à actuação norte-americana na Europa e nos meses seguintes o Kremlin chegou mesmo a avisar que se o projecto avançar poderia ser obrigado a adoptar medidas recíprocas.
“Tivemos uma sincera troca de opiniões e penso que começámos a ouvir a opinião de cada um nos termos exactos em que foram ditos. Isso dá-me alguma esperança”, afirmou Gates.
No final do encontro, Putin disse que há problemas “que podem ser definitivamente encarados como resolvidos”, em boa parte devido a uma carta que lhe foi enviada pelo seu homólogo americano. “Trata-se de um documento sério e estamos agora a analisar os detalhes”, afirmou, sem adiantar mais pormenores.
Por seu lado, Rice revelou que peritos russos vão analisar as propostas apresentadas, admitindo-se uma visita aos locais onde os EUA vão instalar os componentes do novo sistema – um radar na República Checa e baterias de mísseis na Polónia.
Moscovo pretende garantir que o sistema tem fins exclusivamente defensivos contra ameaças na Ásia – como afirmam os EUA – e que, em hipótese alguma poderá ser dirigido contra a Rússia. “Creio que podemos negociar certos limites para garantir que isso não acontecerá”, afirmou Gates.

