As autoridades sírias estão dispostas a cooperar com "seriedade e responsabilidade" nas investigações sobre a morte do antigo primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, noticiou ontem a imprensa local, um dia antes da chegada a Damasco do chefe da missão de investigação internacional do assassínio, Detlev Mehlis.
"A Síria acolhe favoravelmente a visita de Mehlis e cooperará com seriedade e responsabilidade com a sua missão", anunciou o diário As-Saoura num editorial assinado pelo seu director, Fayez Sayegh, que classifica a missão como "o bom caminho para chegar à verdade relativamente à parte responsável pelo assassínio de Hariri".
"Mehlis junta-se amanhã [hoje] à sua equipa técnica, que assume desde já essa natureza. Encontros sérios e responsáveis começarão então sobre a natureza da missão de Mehlis e das relações sírio-libanesas", escreve o editorialista.
O investigador "descobrirá que a Síria está ainda mais apostada que a ONU na segurança e na estabilidade do Líbano", acrescenta Sayegh.
O articulista teme no entanto que a missão seja "politizada com vista à realização de objectivos que ameacem a segurança da região e o seu futuro", evocando "objectivos políticos de algumas partes e indivíduos que planificaram este crime visando a estabilidade tanto no Líbano como na Síria bem como a relação fraternal entre os dois países".
"Israel trabalhou muito para realizar objectivos como esses", sublinha o editorialista do As-Saoura.
Detlev Mehlis devia ter chegado sábado a Damasco mas teve de adiar a visita por dois dias, alteração que as autoridades locais aceitaram.
O magistrado alemão deverá interrogar na capital síria os responsáveis pelos serviços de informação no quadro do assassínio, no dia 14 de Fevereiro, em Beirute, do antigo primeiro-ministro libanês Rafic Hariri. Deseja ainda ouvir o ministro do Interior, Ghazi Kanaan, antigo responsável pela informação militar no Líbano, o seu sucessor no cargo, Rustom Ghazali, e dois dos seus principais colaboradores em Beirute, Mohammad Makhlouf e Jamaa Jamaa, oficiais que eram os pilares do sistema de segurança síria no país até Abril.
O Presidente sírio Bachar al-Assad sublinhou a vontade de cooperação com a missão internacional numa entrevista ao semanário alemão Der Spiegel. "Mehlis poderá ouvir os sírios que quiser", assegurou. "Temos muito interesse nesta investigação pois estamos convencidos que seremos inocentados (...) se as conclusões não forem falsificadas por motivos políticos", acrescentou.


