A Síria criticou hoje os planos da Administração norte-americana para a venda de armas aos seus aliados no Médio Oriente, alerta para o “perigo” de tal iniciativa.
“Estamos em vésperas de uma conferência internacional [sobre o conflito israelo-palestiniano] proposta pelo Presidente Bush. Quem quer a paz não pode começar com uma iniciativa de armamento perigosa para a região”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid Mouallem.
Washington desvendou ontem o lançamento de contratos de assistência militar à Arábia Saudita, Egipto e Israel, três dos seus principais aliados na região, num valor total de 63 mil milhões de dólares. O objectivo anunciado é lutar contra a influência crescente do Irão e da Síria na região e, ainda hoje, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, de visita ao Egipto, garantia que os EUA vão ajudar os seus aliados a garantir as suas necessidades de segurança.
Mas o chefe da diplomacia de Damasco sublinha que “quem quer ser um patrocinador honeste [da paz] não pode ser parcial a favor de um dos lados e isolar o outro. Tem de conquistar a confiança de todas as partes interessadas”.
O Presidente norte-americano defendeu, no passado dia 16, a realização de uma conferência internacional para relançar as negociações de paz entre israelitas e palestinianos, ao mesmo tempo que insistia no isolamento do Hamas (apoiado pela Síria e o Irão) e no apoio a Mahmoud Abbas como único líder legítimo dos palestinianos.
Mouallem criticou em particular o aumento, calculado em 25 por cento, da ajuda militar norte-americana a Israel que já um dos principais beneficiários das verbas distribuídas por Washington. “Isto prova que os EUA continuam a aplicar a sua política de caos construtivo”, ironizou, sublinhando que se a Síria apoiasse da mesma forma os seus aliados na Palestina e no Líbano seria alvo da condenação internacional.
Damasco, garantiu, “deseja a segurança a estabilidade na região” e irá apoiar “todos os esforços sérios”que foram feitos nesse sentido “mas não contribuirá para liquidar a causa palestiniana”.


