Os ministros do Hamas detidos nos últimos dias pelos israelitas serão julgados pela sua participação em actos terroristas, disse hoje o vice-primeiro-ministro israelita Shimon Peres em entrevista à CNN.
“Eles eram responsáveis governamentais que se associaram a actos terroristas. Serão julgados e (...) acusados de participação e apoio a actos terroristas contra um governo civil. Os tribunais decidirão”, disse Peres.
Na quinta-feira, o Exército israelita deteve 64 ministros, deputados, autarcas e outros responsáveis políticos. Ou seja, um terço do Governo liderado pelo movimento islamista Hamas.
Questionado sobre se Israel tenciona deter mais responsáveis do Hamas, Peres respondeu: “Se ainda existem pessoas participando em actos terroristas, sim. Não vamos deter pessoas inocentes”.
Estas declarações surgem numa altura em que o Exército israelita intensificou as operações militares para tentar libertar um dos seus soldados, capturado há uma semana por palestinianos, perto da Faixa de Gaza. Sobre este sequestro, Shimon Peres garantiu a suspensão imediata da operação militar em Gaza caso os palestinianos libertem o soldado. “A decisão pertence-lhes”.
O principal negociador palestiniano, Saëb Erakat, comentou hoje à CNN que “o que está em causa não é o Governo do Hamas. Penso que é todo o conceito da Autoridade Palestiniana”.
Olmert dá ordens para militares fazerem todos os possíveis pelo soldado capturado
Hoje, o primeiro-ministro israelita Ehud Olmert deu ordens para o Exército agir “com toda a sua potência” e “fazer tudo o que puder” para libertar o soldado.
“Estes têm sido dias difíceis para Israel, mas não temos intenção de ceder a chantagens”, disse Olmert.
“Assumo responsabilidades por aquilo que está a acontecer em Gaza. Não quero que ninguém durma em Gaza. Quero que saibam como isso é”, acrescentou Olmert.
Como reacção, o braço armado do Hamas ameaçou hoje lançar operações contra infra-estruturas e edifícios governamentais em Israel.
“As brigadas Ezzedine al-Qassam estão a observar o inimigo sionista. Se as operações continuarem, vamos atingir os mesmo alvos da ocupação que antes optámos por não atacar”, disse, em comunicado, o porta-voz oficial do grupo, Abou Obeida. Este condenou os raides aéreos israelitas contra “centrais eléctricas, pontes, universidades, escolas, ministérios e conselho de ministros”.
“Afirmamos mais uma vez que o continuar, pela ocupação tirânica (Israel), das agressões e do terrorismo contra o povo palestiniano, perante o silêncio da comunidade internacional, mergulhará a região num mar de sangue”.


