As autoridades iemenitas anunciaram a descoberta dos corpos de sete dos nove estrangeiros sequestrados na semana passada, no Norte do Iémen. Os países de origem dos reféns, sete dos quais alemães, ainda não confirmaram o desfecho, inesperado num país onde os sequestros, apesar de frequentes, são habitualmente resolvidos com o pagamento de resgate.
Os adultos do grupo – que incluiu um médico alemão, a mulher e três filhos, duas enfermeiras alemãs, um engenheiro britânico e uma professora sul-coreana – são membros de uma organização que trabalha há vários anos num hospital da província de Saada, junto à fronteira com a Arábia Saudita. Terão sido sequestrados sexta-feira, quando faziam um piquenique numa zona próxima da capital provincial.
Um responsável da segurança iemenita confirmou à AFP que os corpos dos seis adultos e uma criança foram encontrados esta manhã “pelo filho de um dirigente local”, acrescentando que os outros dois menores “estão vivos”. A informação foi confirmada também pelo Ministério do Interior a um diário na capital iemenita, acrescenta a CNN.
A Reuters noticiou, por seu lado, ter conseguido apenas confirmar, junto de fontes tribais e do Governo, a morte das três cidadãs alemãs.
Uma equipa da polícia criminal já foi enviada para a região e, até ao momento, as diplomacias da Alemanha, Reino Unido e Coreia do Sul disseram não ter informações suficientes para confirmar as mortes.
O Governo iemenita atribuiu o sequestro a rebeldes zaiditas – a seita xiita mais conservadora, considerada próxima dos sunitas na aplicação da lei islâmica –, maioritários na região. Um grupo armado, ligado ao clã Houthi, reivindicou no passado o sequestro de outros turistas estrangeiros, mas rejeitou qualquer responsabilidade neste rapto.
Outras fontes admitem a possibilidade de militantes ligados à Al-Qaeda estarem por trás desta acção, que ocorreu um dia depois das autoridades iemenitas terem anunciado a captura de um cidadão saudita, suspeito de ser o principal financiador das actividades da rede terrorista no Golfo.
Nos últimos anos, vários especialistas alertaram para o risco de o Iémen, o mais pobre dos países árabes, a braços com revoltas e dissensões internas, se transformar num refúgio para a rede de Osama bin Laden que, a partir do país, poderia retomar os seus esforços para desestabilizar a vizinha Arábia Saudita e tentar derrubar a monarquia reinante.
Notícia actualizada às 16H20


