Sérvia retira embaixador de Washington em retaliação pelo reconhecimento do Kosovo

18.02.2008 - 19:57 Por AFP, PÚBLICO
O Governo sérvio ordenou ao seu embaixador em Washington para sair do país, depois dos EUA terem reconhecido formalmente a independência do Kosovo. Apesar das ameaças de Belgrado foram já vários os países que enviaram diplomatas a Pristina para apresentação de credenciais ao Presidente kosovar.
“O Governo sérvio ordenou ao embaixador em Washington para regressar de forma urgente a Belgrado”, declarou o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, sublinhando que adoptará igual procedimento em relação “a todos os países que reconheçam esta independência unilateral”.
O dirigente nacionalista, que falava durante uma sessão de emergência do Parlamento de Belgrado, entende que a Administração americana, ao reconhecer a independência do Kosovo, “não transforma um falso Estado num verdadeiro Estado”, mas demonstra “ao mundo inteiro a verdadeira face da política da força dos EUA”.
O primeiro-ministro sérvio instou, por isso, aos deputados para ratificaram as iniciativas legislativas adoptadas pelo Governo sérvio para anular a declaração de independência kosovar.
Ignorando os avisos da Sérvia, diplomatas de vários países enviaram hoje diplomatas ao Kosovo para apresentarem credenciais ao Presidente do Kosovo, Fatmir Sejdiu, o que equivale a um reconhecimento tácito do novo país.
O primeiro diplomata recebido pelo Presidente, Vojislav Kostunica, foi o enviado turco Mustafa Sarnic, que deverá assumir-se como representante de Ancara em Pristina.
Durante a tarde foram também recebidos os representantes do Reino Unido e de França na capital kosovar, que entregaram a Sejdiu missivas dos respectivos governos reconhecendo a independência do país.
“Tenho a honra de informá-lo que França, em plena concordância com a declaração da UE e retirando consequências da resolução adoptada pela Assembleia do Kosovo no dia 17 de Fevereiro de 2008, reconhece a partir de agora o Kosovo como um Estado independente e soberano”, lê-se na missiva enviado pelo Presidente Nicolas Sarkozy.
Segundo o representante britânico em Pristina, o mesmo reconhecimento consta da carta endereçada pelo primeiro-ministro Gordon Brown.


